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HORTA NO PATRIMNIO MUNDIAL?

Quinta, 02 de Agosto de 2001 557 visualizações Partilhar HORTA NO PATRIMNIO MUNDIAL?

Est a ser estudada a hiptese da Horta vir a ter o seu porto includo na lista do Patrimnio Mundial da UNESCO.

A ideia partiu de alguns sectores de opinio da cidade e o objectivo agrada a qualquer um que goste da sua terra.

Contudo, no tarefa fcil, e por vrias razes.

Do ponto de vista cultural um bem que se pretenda colocar na lista da UNESCO tem de ser fora do comum, e com tanta coisa interessante por esse Mundo afora, preciso ter mesmo criatividade.

Do ponto de vista poltico - e a UNESCO uma organizao poltica - interessa saber que se concorre com - ou contra - mais de centena e meia de pases que acham que as suas coisas que valem.

Do ponto de vista financeiro estar no Patrimnio Mundial tambm no sinnimo automtico de dinheiro fcil.

Do ponto de vista da responsabilidade preciso nunca esquecer que um bem includo na lista do Patrimnio Mundial no passa a ser responsabilidade internacional. Ele e continuar a ser responsabilidade nacional - acrescido isso ao facto de passar a ter mais olhos do Mundo a olharem para ele e a perguntarem porque que isto ou aquilo foi ou no foi feito.

Noutra ordem de razes, h que ter em conta que um bem - antes de ser proposto -, tem de ter legislao de proteco j vigente, bem como um sistema de controlo, ou seja, tem de estar em condies de ser salvaguardado e acautelado a nvel nacional antes de querer "subir de diviso".

Mais do que tudo isto, porm, preciso ter claro, em termos estratgicos, por qu e para que que se quer incluir esse bem na lista da UNESCO.

Do mesmo modo que se compra um fogo novo porque se quer cozinhar melhor, a entrada na lista da UNESCO tem de ser feita de olhos bem abertos.

Finalmente h duas exigncias bsicas a ter em conta, sempre e desde incio:


a) Um bem, para entrar no Patrimnio Mundial, tem de ter suporte fsico, tem de ter verdade, nas casas, coisas, pedras, quedas de gua, muros, rvores, actividades, relacionadas com o que se quer colocar na lista, e no apenas umas fachadas aqui, uma rvore acol;


b) Ao Comit do Patrimnio Mundial e UNESCO interessa tambm, - e muito - saber se vo "comprar dores de cabea", isto , se depois de pr uma coisa na lista toda a gente vai "saltar para o colo" deles ou lavar as mos do processo. quase mais importante que todo o resto e o que faz muitas vezes a diferena entre candidaturas de valor semelhante. A isso chamam "condies de salvaguarda futura" por comparao com outros bens parecidos em qualidade e interesse.

Agora a Horta.

Depende de muita coisa a possibilidade de levar adiante uma candidatura, mas julgo que a Horta tem algumas condies interessantes de partida.

Aos Aores, cruzando a necessidade de salvaguarda cultural com a necessidade de ter atractivos tursticos, aliciante a ideia de ter vrias coisa no Patrimnio Mundial.

A proteco cultural permitir evitar "desmandos tursticos" ao mesmo tempo que ela prpria se torna atractivo turstico.

Horta, interessa ter essa mais valia no quadro duma rede de bens de interesse internacional no Aores, e para ela prpria.

A Horta no Patrimnio?

Qual Horta?

A dos cabos submarinos, dos hidros e da primeira poca da aviao civil? Americanos, alemes, italianos, ingleses e outros estariam talvez interessados em apoiar essa candidatura;

A das baleeiras da Amrica e dos Dabney? Apesar da no estarem na UNESCO neste momento, os americanos talvez gostassem de ver comear por aqui uma rede que poderia incluir, porque no, New Bedford, e outros portos baleeiros atlnticos do Sculo XIX. etc.

Interessa tambm uma escolha que potencie as vizinhanas mas que no as exclua, trazendo tambm mais valias, por reflexo, para as Lajes do Pico, por exemplo.

Nem sempre a "sopa de pedra" boa conselheira.

Interessa nunca esquecer que, para candidatar um bem a patrimnio mundial, h que ter sempre em conta as perguntas que nos bastidores mais vezes se fazem: O que que trazem de novo? H condies de salvaguarda?

Saber preparar bem a proposta fundamental, e para isso preciso comear por se saber o que se quer.

Voltaremos ao assunto.

Colunista:

Francisco Maduro - Dias

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