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Ano lectivo 2005/2006

Quarta, 14 de Setembro de 2005 536 visualizações Partilhar

A abertura do ano lectivo 2005/2006 vai ser assinalado oficialmente, com toda a pompa e circunstncia, na Ilha do Faial. O Presidente do Governo Regional vai, simbolicamente, dar inicio ao novo ano escolar com a colocao da primeira pedra daquela que ser a nova Escola Secundria da Horta. Vale mais tarde do que nunca! Esta infraestrutura educativa era h muito uma reivindicao dos Faialenses e, enquanto docente e dirigente sindical, s posso ficar satisfeito com o princpio de to almejada obra. No posso, no entanto, deixar de referir que ficaria muito melhor a este ou qualquer outro governo que, ao invs da primeira pedra, a abertura do ano lectivo fosse assinalada com a abertura de uma nova escola. Assim, como no poderei deixar de referenciar que estes actos como o que vai ocorrer no dia 12 de Setembro de 2005, na cidade da Horta, no nos devem desviar a ateno do que, actualmente, essencial. E, neste caso, ou seja em matria de educao o fundamental caracteriza-se pelas profundas alteraes que a SREC est a introduzir no sistema educativo. A Escola de Tempo Inteiro ou Escola Integrada constitui, a par de outras j referidas neste espao ao longo deste ano, uma das grandes inovaes do ano escolar que agora se inicia. As escolas do primeiro ciclo vo (nem todas) oferecer aos seus alunos, para alm de uma rea curricular disciplinar uma rea curricular no disciplinar que vai proporcionar s crianas uma estadia na Escola das 9 horas s 17 horas e 30mn. No sendo claramente enunciado , no entanto, objectivo da Escola Integrada procurar que a escola pblica d resposta s necessidades sociais das famlias que por diversas razes (econmicas, laborais, culturais, etc.) esto privadas de prestar acompanhamento aos seus educandos, por si ou por interposta pessoa ou instituio. No fora a forma como este modelo nasceu, como est a ser implementado e algumas dvidas que subsistem sobre os resultados finais e curvar-me-ia a esta nobre iniciativa do SREC. Quanto forma, no h nada de novo, uma iniciativa unilateral do SREC. Nem professores, nem sindicatos, nem Escolas ou Pais e Encarregados de Educao foram ouvidos. , como muitas outras iniciativas, fruto de uma noite de insnias do Professor Doutor lamo de Meneses e, neste caso como em muitos outros, de inspirao no Governo da Repblica agravado pelos devaneios do titular da SREC. A implementao vai ser experimental logo no vai ser universal, ou seja, nem todos os alunos vo beneficiar da Escola Integrada. As Escolas que aderiram, por sugesto do SREC, fizeram-no sem consultar os seus Conselhos Pedaggicos e Assembleias de Escola (AE), e, a isso estavam obrigados pois uma alterao desta envergadura implica, necessariamente, alteraes ao Projecto Educativo de Escola (PEE). Sabendo-se que a aprovao do PEE uma competncia da AE pergunta-se: - Qual a legitimidade que os Conselhos Executivos tm para implementar a Escola Integrada sem, previamente, procederem alterao do seu PEE e subsequente aprovao das alteraes pela AE. As reas curriculares no disciplinares so, ou no, de frequncia obrigatria? Sendo obrigatrias qual o peso da avaliao na deciso de transio ou reteno dos alunos? Qual a atitude que os Pais e Encarregados de Educao devem tomar se pretenderem que os seus educandos frequentem instituies especializadas (Clubes Desportivos, Conservatrio, Ateliers de Artes, Escola de Dana, Espaos de Tecnologias de Informao e Comunicao, Institutos de Lnguas) ao invs de aceitarem a oferta da Escola? Se no for de frequncia obrigatria, alis como acontece com a pr-escola, inevitavelmente se aprofundaro diferenas na aquisio de saberes e competncias que entrada no 2. ciclo resultar no acentuar de dificuldades para alunos e professores. No havendo no mercado de trabalho professores habilitados cientfica e pedagogicamente para leccionar as novas reas curriculares no disciplinares, como vo estes ser recrutados e que formao lhes vai ser disponibilizada? Para quando o hbito de construir colectivamente, com a comunidade educativa, as mudanas na educao?

Colunista:

Aníbal C. Pires

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