As pessoas como objectivo primeiro do desenvolvimento A cidade e o concelho de Ponta Delgada sofreram profundas transformaes sociais e econmicas nos ltimos anos. Para o bem e para o mal a cidade e o concelho j no so o que eram. Importa, no entanto, lembrar que as transformaes que ocorreram so fruto de um conjunto de dinmicas e de aces que se dividem pela iniciativa da, vulgarmente, designada sociedade civil agentes econmicos, culturais, desportivos, sociais, etc. , pela iniciativa do Governo Regional e claro, por iniciativa do governo do concelho, isto , a sua Cmara Municipal. Para o bem e para o mal as transformaes que se verificaram, umas mais visveis outras nem por isso, tm, portanto, vrios protagonistas e responsveis. Cabendo, no entanto, ao governo da cidade e do concelho um nvel de responsabilidade maior que a outros intervenientes. Ao estender um olhar, ainda que breve, sobre a cidade e o concelho verificamos que foram introduzidas algumas melhorias ao nvel da oferta cultural, das acessibilidades, da valorizao do centro histrico de Ponta Delgada, da interveno no parque escolar do 1. ciclo, na recolha de resduos slidos, no saneamento bsico, etc. etc.. De facto, hoje a cidade, mais do que o concelho, est diferente. Mas as diferenas no so apenas aquelas que um breve olhar evidencia, e, em alguns sectores, da competncia do governo da cidade e do concelho, problemas antigos continuam a subsistir. A desertificao humana das zonas rurais e do corao da cidade (Matriz de S. Sebastio), o envelhecimento da populao, o aumento da taxa de actividade feminina, o aumento da excluso social e problemas de segurana pblica directamente relacionados com a grande concentrao populacional e os apelos, consumistas, da urbe, so dados imperativos para que a poltica autrquica do concelho de Ponta Delgada seja pensada e participada pelas populaes e pelos movimentos sociais e polticos e sofra uma cada vez mais desejada e necessria inverso. No admissvel que por um lado aumente a oferta de nova habitao dentro da cidade e, igualmente, dentro da cidade (na sua zona histrica) o parque habitacional registe um elevado nmero de edifcios e alojamentos que apresentam sinais de degradao. No , igualmente, admissvel que se verifique uma enorme carncia, nas zonas rurais, de terrenos infra-estruturados para a construo de habitao. Bem como, no admissvel que o concelho continue a registar uma grande carncia na oferta de habitao apoiada ou que a taxa de ligao rede pblica de esgotos seja to baixa. Ao longo dos ltimos 4 anos assistimos ao aumento da centralidade da cidade que cresce desmesuradamente, tornando cada vez mais distante a possibilidade da emergncia e da afirmao de outras centralidades de segundo nvel. Centralidades decorrentes de uma necessidade sentida e de uma estratgia que se quer de desenvolvimento harmonioso do concelho. O concelho de Ponta Delgada continua, ainda hoje e talvez mais acentuadamente, com uma nica centralidade a cidade. Centros de nvel secundrio como sejam as Capelas e o eixo Ginetes/Mosteiros/Bretanha no se reforaram, verificando-se mesmo que, no caso da zona poente a actual poltica autrquica, levada a cabo por quem governa a cidade mais do que o concelho, tem vocacionado esta zona ao esquecimento. Os projectos de desenvolvimento, sejam eles autrquicos ou de outro cariz, para serem bem sucedidos tm de ser construdos e executados colectivamente e no resultado de projectos pessoais de poder e de submisso a interesses que no os da comunidade.
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