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E o Governo meteu a viola no saco...

Segunda, 31 de Março de 2008 400 visualizações Partilhar

Aquela menina um portento. capaz de no o ser tanto assim, em termos de estudo e de aproveitamento... mas fez o quase milagre de emudecer o Governo. Quando o pas assistiu, pela TV, agresso de uma professora ao som da gargalhada pfia da turma... estava feito. A tal menina... ps todos a falar do tema. A perorar sobre os porqus. Todos... forma de expresso. A ministra da Educao... deseducadamente, no disse uma palavra. Idem para o primeiro-ministro, normalmente muito dado a defender as suas polticas. Neste caso, meteu a viola no saco. No falou, como seu hbito, nos xitos alcanados (virtuais, j se v...), tambm no sector da Educao. Calou-se. Viu, como todos os outros, a professora a resistir e a ouvir os gritos de uma rapariga que a trata por tu e tudo. E aos risos alarves dos seus colegas. Um exemplo triste. Em que s a tal rapariga decerto de boas famlias conseguiu levar a sua avante. Recuperou o tal telemvel e ps o pas a falar de si e... da sua aco. O pas real. No o pas que fala por metforas, olha para o seu umbigo e defende... o indefensvel. Ela, sim, conseguiu. J todos peroraram. J disseram que so coisas da democracia. Porque, no Estatuto do Aluno, est l tudo... incluindo a resoluo destas coisas. E que, com o tal estatuto, se faz a gerao que, em breve, capaz de nos governar. E onde deve estar escrito... que nestas escolas quem manda... so os alunos. Um regabofe pegado. Onde j se comeou a zurzir os pais. Que so bem capazes de ter a sua quota-parte de responsabilidade. Sim, porque aquela menina e as outras meninas e meninos eram, h dez ou doze anos, uns anjinhos. Daqueles que dava gosto ver... Quem os transformou em arruaceiros... que no sabemos. Se no foi o tal Estatuto, se no foi o Governo, se no foram os pais... so capazes de terem nascido por gerao expontnea. Um Pas assim no d seno para chorar... E mesmo que o inefvel secretrio de Estado da Educao recordem, por favor, o nome do senhor Valter Lemos aparea a sacudir a gua do capote, afirmando, sem qualquer pudor, que "o Governo, ao fazer aprovar o novo Estatuto do Aluno, deu s escolas um instrumento para reforar a autoridade dos professores", ns vimos esse reforo... Ns vimos a autoridade. Deveria dizer, pelo menos, a verdade. E essa tem a ver com a desautorizao em marcha da classe docente. Uma classe que tem sido humilhada e que se v impotente para conter o mau comportamento dos alunos. E at para defender a sua integridade... Talvez aqui entronque duas ou trs palavras do grande Ea de Queirs, escritas em 1871 na primeira edio das Farpas. "O pas perdeu a inteligncia e a conscincia moral. Os costumes esto dissolvidos, as conscincias em debandada, os carcteres corrompidos. A prtica da vida tem por nica direco a convenincia". E, numa actualidade to gritante que at parece falar na actual classse poltica portuguesa: " No h princpio que no seja desmentido. No h instituio que no seja escarnecida. Ningum se respeita. No h nenhuma solidariedade entre os cidados. Ningum cr na honestidade dos homens pblicos.(...). O povo est na misria. Os servios pblicos so abandonados a uma rotina dormente. (...) A certeza deste rebaixamento invadiu todas as conscincias". E, numa tirada final, que parece de hoje: "Diz-se por toda a parte: o pas est perdido"! Foi escrito em 1871. Se fosse hoje, decerto que Ea de Queirs era condenado.

Colunista:

Fernando Cruz Gomes

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