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Estradas das Ilhas

Terça, 04 de Dezembro de 2001 418 visualizações Partilhar Estradas das Ilhas

O jornal "Dirio Econmico" divulgou que a rede portuguesa de auto-estradas cresceu 222% na ltima dcada.

claro que a gente percebe com que isso aconteceu, e porque que aconteceu.

O "como" tem a ver com o financiamento ao abrigo dos sucessivos quadros de apoio da Unio Europeia.

Uma coisa a gente construir estradas medida que vai tendo dinheiro - e o dinheiro no cresce nas rvores -, outra, bem diferente, a gente saber que vai ter muito dinheiro para poder construir o que quiser.

O "porqu" tem a ver com vrias coisas. Com o atraso das estruturas virias em Portugal, quer em termos de quilmetros quer em termos de qualidade, e com o esforo que foi feito no sentido de modificar o tradicional alinhamento das estradas portuguesas que, desde tempos imemoriais alinham entre o Norte e o Sul mais junto costa, deixando para dentro o tal "interior" de que tanto se fala.

Assim se construram os famosos IPs, assim se est - quase - a chegar ao Algarve.

Curioso , no entanto, verificar o desinvestimento que aconteceu ao nvel dos caminhos de ferro, muito embora, na mesma altura, o metropolitano de Lisboa tivesse aumentado as suas linhas e se tivesse comeado a ouvir falar do j famoso metropolitano de superfcie do Porto.

Isto tudo, porm, so estradas boas para onde h terra. Terra grande e a perder de vista.

Aqui nos Aores, ou em ilhas de tamanho parecido, o asfalto interessa mas nem tanto, assim com as grandes pontes e viadutos dos caminhos de ferro.

Nos Aores, em Cabo Verde, nas ilhas Fere, etc. e apenas para ficarmos neste nosso Oceano Atlntico, a questo de ir de um lado para o outro coloca-se de maneira diferente. Da que por vezes no seja o muito asfalto a ser preciso mas a criatividade em termos de se saber quais, quantas e como estabelecer ligaes entre gente, grupos e lugares.

As nossas estradas so outras e tm de ser principalmente outras, baseadas em critrios de comunicao, e no necessariamente em critrios de ligao, moda de qualquer continente, onde a terra contnua facilita, mas tambm pode sufocar.

Este milnio, que entra sob o signo das comunicaes, talvez devolva s ilhas o lugar merecido, ou seja, o de stios que, pela dimenso humana que do vida e s coisas, podem transformar-se e ser pequenos parasos.

O que preciso entend-las em vez de querer transform-las segundo regras que no lhes cabem.

Colunista:

Francisco Maduro - Dias

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