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Olhando em redor 19

Segunda, 17 de Fevereiro de 2014 701 visualizações Partilhar

“Rolezinho” global

Assiste-se com curiosidade a um novo fenómeno social, denominado afectuosamente de “rolezinho”, que começa a provocar preocupação em alguns sectores da sociedade brasileira. Sendo este mais um dos resultados de uma política neo-liberal que tende a globalizar-se, exclusivamente virada para “os mercados”, que no caso afeta um dos países emergentes de maior evolução económica nos últimos anos.

Derivando do termo “dar um rolê”, que significa “dar uma volta”, este novo acontecimento já invadiu a comunicação social internacional, sendo até discutido pelo sistema judicial brasileiro, com os necessários aproveitamentos político-partidários tão familiares para todos nós.

Fruto das clivagens sociais da atualidade, assistimos um pouco por todo o globo, e com especial incidência nos países em que o crescimento económico é maior, ao aprofundar do fosso entre a classe mais rica e a base da pirâmide social constituída pelos mais pobres, provocado pelo desaparecimento acelerado da classe média.

Desse afastamento de realidades resulta o medo e a ostracização dos pobres pelos que tudo têm. Chegando-se ao extremo de, um ajuntamento (mesmo que animado e numeroso) de jovens oriundos das favelas brasileiras, ser confundido com um tumulto criminalizável.

Segundo se vai sabendo, até hoje não existiu qualquer ato ilícito associado aos rolezinhos que vêm acontecendo nos espaços comerciais cariocas. Mas como pobre provavelmente é criminoso (???) as forças de segurança públicas e privadas sentem-se coagidas a impedir que tal aconteça, vedando o acesso a espaços alegadamente públicos a determinadas faixas da população (pasme-se…) identificadas pela cor da pele, estatuto social, escalão etário… e mais inventarão!

Não será este fenómeno apenas a ponta do iceberg xenófobo? Os governantes do G8, os que vão aos encontros de Davos …enfim, os atuais beneficiários/usufrutuários do planeta já terão ponderado os efeitos da generalização dos conflitos sociais (esses sim, criminosos) que poderão ser provocados pelo desemprego, a fome, a insegurança… e, essencialmente, pela inexistência de futuro?

Se pararmos para reflectir, verificaremos que atos xenófobos e contrários a uma vivência social e humanista se multiplicam vertiginosamente por debaixo dos nossos olhos e perante a nossa passividade colectiva.

Não sabendo como evitar o curso da actualidade, tenho a certeza que a solução de sobrevivência da humanidade não passa por centro comerciais reservados aos mais ricos, habitações em condomínios fechados, acesso à saúde e à educação apenas para quem possa pagar, etc..

A obrigatória e urgente alteração deste modelo político-económico socialmente fraturante e perigoso, deixará de gerar vultuosos lucros a poucos, beneficiando com alguma qualidade de vida todos os outros. Eu, pessoalmente considero que este “crime” compensa!

Ainda estamos em tempo de promover a unidade do género humano sem exceções, respeitando as diferenças, mas trabalhando no sentido de todos podermos usufruir de um real direito à igualdade de direitos e de oportunidades.

 

Colunista:

Paulo Vilela Raimundo

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