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Ser terceirense é fixe (I)

Quinta, 08 de Maio de 2014 791 visualizações Partilhar

“Ser terceirense é fixe”. Mas por que não “Ser açoriano é fixe”? Apesar de todos os açorianos serem uns privilegiados por terem nascido num canto do céu, os habitantes da Terceira são ainda mais favorecidos. O povo terceirense é muito especial. Ser-se terceirense é único e não é para todos, por acaso são bem poucos os que têm essa sorte e essa possibilidade. Nascer na ilha de Jesus Cristo, na ilha lilás, como lhe queiram chamar, é vir ao mundo e viver num paraíso inigualável. A Terceira é o palco do verdadeiro Jardim de Éden, onde o silêncio invade a alma humana e o verde expande-se para lá do que a vista alcança. Finda o verde, inicia-se um percurso flutuante pelo mar imenso.

Não ter vergonha do lugar onde nascemos é meio caminho andado para vivermos felizes. Ser-se praiense é relembrar o heroísmo dos antepassados praienses, é passear à beira-mar e deslumbrar o areal sem medo que o mar avance e nos acaricie levemente, é saber que a baía guarda histórias que nem o historiador mais conceituado conhece, é denotar uma excitação extrema quando começam as magníficas festas da Praia…

Do outro lado da ilha, há mais uma linda cidade, Angra do Heroísmo. Não é preciso referir que é Património Mundial nem debater essa questão, isso deve ser remetido à beleza da sua arquitetura e à sua história ímpar. Existem coisas que nem as mais belas palavras caracterizam, só o deslumbramento do que é observado permite-nos compreender o quão fantástico é. Angra é isso mesmo. É não ter adjetivos para a caracterizar. Ser-se angrense é deambular pelas ruas acolhedoras de Angra e sentir-se em casa, é andar pela calçada e olhar o museu, a igreja ou o jardim, e vangloriar-se por pertencer àquele berço, é envaidecer-se por ter as Sanjoaninas como cartaz festivo, é olhar para o Monte Brasil e para a paisagem em que se enquadra a cidade, e dizer: “Sou um verdadeiro privilegiado!”.

Para além das cidades majestosas, há, um pouco por toda a ilha, freguesias excecionais com características ímpares. Pessoas muito ligadas ao campo, à família, ao amor e ao carinho. Cooperam e são muito unidos. No Verão, as touradas e as cantorias abrilhantam ainda mais a tradição popular que é mantida desde há séculos. Cantadores, poetas, costureiras, lavradores… Na minha ilha valorizam-se os antigos e os seus talentos, não são postos de parte.

Ser dos Açores é espetacular, mas da ilha Terceira é um privilégio divino.

Colunista:

Emanuel Areias

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