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Ser terceirense é fixe (II)

Terça, 13 de Maio de 2014 731 visualizações Partilhar

Adorável é o berço onde eu nasci. Terceira, a ilha mais festeira, mas não só… Remeter o esplendor e a beldade dos Açores apenas para as suas festas, é um ato rude e reprovável. A minha ilha é mais do que isso e ainda bem. Quem é que no seu perfeito juízo não gosta de deslumbrar o basalto negro que abraça o mar, conjugando-se duas tonalidades apaixonantes? A pedra mais áspera, a água transparente ou a brisa de um passeio matinal, tudo isso reúne-se num cenário fascinante e absolutamente único. Durante a época estival, as zonas balneares terceirenses são invadidas por crianças, jovens, adultos, e até antigos. Cada qual com uma felicidade inabalável, pelos simples facto de mergulharem e sentirem a naturalidade do mar açoriano. Não há águas mais inamovíveis e puras do que as nossas…

A pureza de um ato vale muito. Mais um mergulho de um jovem, mais uma “amona” (segundo aquele que a fez não foi intencional, foi apenas uma brincadeira), lá entrou em ação o ouriço-do-mar ou a água-viva e faz chorar uma criancinha…. Espera-se a onda como se tratasse de algo monumental, pois é ela que permite o divertimento e os mergulhos infindos…. Mais um diálogo na água sobre um tema banal: “vais à festa hoje?”. Lá chegam mais pessoas à praia (que não é de areia. Também qual a designação para as nossas zonas balneares rochosas?), e chegam com um desejo extraordinário de completar o seu dia com um toque suave na água salgada mais doce que existe.

O período do Verão é assim. A noite terceirense, com as gloriosas e tão afamadas festas, prevalece no topo da hierarquia. O convívio e um “mata-bicho” que não tem fim (encontrar um amigo é encontrar uma cerveja). A natureza do terceirense é festiva e divertida. Não há nada a fazer quanto a isso. Dizem que somos pouco trabalhadores e só queremos festas… Isso só acontece porque a terra onde nascemos fez-nos assim. Somos genuinamente hospitaleiros. Uma tourada! Festa garantida. No mato é que se nota que a natureza ama a tradição terceirense. Do interior ao litoral da ilha, não há invejas. Ambos os espaços não desmoralizam, apenas existem para que o povo seja feliz. O campo e o mar são essenciais para que se mantenha a essência do povo terceirense.

Pertencemos a Portugal e aos Açores, mas a ilha Terceira é uma nação dentro de um país!

Colunista:

Emanuel Areias

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