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Juventude oprimida

Segunda, 16 de Junho de 2014 738 visualizações Partilhar

É com imensa responsabilidade que falo da minha geração. Trato a juventude com grande carga simbólica e a tal responsabilidade que já me é característica. Tomara se eu não fosse responsável. Quando a minha geração é tratada sem o mínimo de respeito pela sociedade que se diz defensora da hierarquia social, em que os antigos são tudo e os jovens são passíveis de desprezo. Quando a minha geração é ofuscada e considerada minimalista. Como o nosso Portugal é o país dos mínimos e do menos, e de tudo o que não é bom e que por sorte é o negativismo e os problemas em forma física, a juventude é só mais um grupo (posso tratar assim) prostituído pela sociedade em que está inserida. Ao menos Portugal triunfa em alguma coisa. Ser o pior dos melhores. Vencer por baixo também é uma virtude.  São muitos os aspetos em que Portugal é mau, mas o que me estou a referir, neste escrito, é à juventude e às oportunidades e obstáculos de tantos jovens, como eu.

De salientar que o problema que afeta a juventude não é só responsabilidade do meio e da sociedade, mas também dos próprios jovens que são cada vez mais inertes. Comecemos pelo papel da escola. Uma sociedade ocidental influenciada pelo pensamento de que todos devem ser instruídos e educados, tendo acesso ao ensino. Há quem não queira ser instruído. Há quem queira ser ignorante. Há quem queira passar a vida sem fazer coisas novas e inovar, e sem buscar os sonhos no subconsciente. Resgatar a vida a cada dia, com ambições e sonhos. Mas a escola não é que educa. A escola moldou-se e protege, hoje, os “necessitados” e os fracos. O esforço é alvo de chacota por parte dos tais pedintes de educação e os professores não são doutrinados para proteger quem trabalha. Não há uma preparação eficaz dos jovens para a pressão do dia-a-dia. Os jovens são “educados” sem fortalecimento intelectual e sem hábitos de estudo. A cultura é inexistente e a ignorância é um património consagrado.

Mesmo assim, os jovens do meu país são intitulados dos mais qualificados e é lhes atribuída uma missão dura: fazer renascer um país decadente e perdido no abismo das promessas utópicas e das mentiras embebidas em demagogia e mergulhadas no sofismo. Essa missão devia ser de quem fez mal ao país. De quem motivou o desemprego jovem, de quem nos mandou emigrar, de quem nos impediu de sonhar, de quem nos tirou esperança no futuro e de quem nos usa como objetos e números.

Mas também nada choca estes jovens. Vivem no seu mundinho perfeito, onde os problemas são para os adultos e se tiverem algumas adversidades são certamente com a orientação sexual, com um namorado ou namorada qualquer ou com uma briga de facebook. O excesso de tolerância também nos leva à libertinagem. O jovem português não se faz ouvir e se tenta é ignorado.

Juventude oprimida? Por um lado sim, mas por outro é culpa nossa!

 

Colunista:

Emanuel Areias

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