Azores Digital

--> Hoje, dia 20 de Maio de 2019

Viver a nossa vida

Quarta, 30 de Julho de 2014 822 visualizações Partilhar

Mais uma vez surpreendo-me com inutilidade e inobservância das pessoas. Tendo eu a noção de que a crítica que faço, atinge-me diretamente porque sou só mais um pecador num mundo repleto de deficientes e inúteis que nem sabem viver a sua vida. Digo sem temer as objeções que me podem fazer: somos todos rudes, cruéis e burros. A vida deve merecer a atenção total de quem a vive. Mas uma característica fundamental de todos nós é banalizar o nosso percurso na Terra e dar mais atenção aos percursos dos outros. Ajuizar os defeitos dos outros, fortalece-nos. Julgar outras vidas, torna-nos mais felizes. Até quando ajudamos alguém ou damos de nós em benefício de outrem, estamos a ser egoístas. Esperamos sempre qualquer coisa da outra parte, nem que seja um obrigado. Amamos que os outros se submetam a nós e agradeçam infinitamente. Lá está o egoísmo que nos perverte, a funcionar. Mas somos assim mesmo.

E quando se ouve isto: “ouvi dizer”. Refuto totalmente estas palavras porque são o reflexo de que as pessoas adoram a mesquinhez e a pequenez de pensamento. Ninguém pensa pela sua própria cabeça, pois toda a gente vive influenciada pelo que se “ouve dizer”. Vivemos dominados pelo meio onde nos inserimos, onde tudo o que se gera em torno de nós vai nos matando psicologicamente. A sociedade é responsável pela sua própria morte. As pessoas que não agem em nome de outras pessoas e do que elas possam pensar!

Mais grave ainda é que toda a gente quer saber tudo. O ser humano vive daquilo que sabe e do que não sabe. E se não sabe falar sobre determinado assunto, inventa qualquer coisa para dizer sobre o mesmo. Isso não deve acontecer. Devemos ter a coragem de dizer que não sabemos. Dizer “não sei” também é uma virtude. Querer mostrar ao mundo, tudo o que sabemos é possível, mas quando tentamos mostrar aquilo que não sabemos, entramos pela via do absurdo e da tolice. Eu, por exemplo, não sei nada sobre o amor, mas tentei encontrar uma definição plausível para esse sentimento. Apercebi-me que é impossível definir o amor e cheguei à conclusão de que “não sei” falar de amor nem tenho jeito para conviver com ele. Apesar da demora, entendi e entreguei-me por completo à ignorância. Às vezes o desconhecimento é necessário. Nós não somos obrigados a conhecer tudo. Eu sei pouco ou nada, mas o que sei, sei bem.

Viver a nossa vida é um bom lema. Abandonar e esquecer a burrice dos outros é o caminho rumo ao fortalecimento interior.

Colunista:

Emanuel Areias

Outros Artigos de Emanuel Areias

Mais Artigos