Em período de férias, todos nós encontramos tempo para misturar um lazer ocioso e merecido com alguma disponibilidade de observação descomprometida e liberta de correntes massificadas de atuação ou de pensamento.
Dessa vantagem arquipelágica que os açorianos conhecem bem, destacam-se sobremaneira as atividades e/ou áreas de negócio que, numa escala muito ajustada à realidade de cada lugar, se evidenciam pela sua eficácia e pelo profissionalismo/ especialização que lhes são exigidas.
Talvez devamos considerar a hipótese de que um dos aspetos a trabalhar no nosso quotidiano empresarial terá de passar obrigatoriamente pela diversificação das empresas e de toda a atividade produtiva, numa busca pela complementaridade de negócios e da especialização dos seus agentes.
Focalizando a nossa atenção nas ilhas do Pico ou do Corvo, e sem pretender impor-vos conclusões excessivas em desprimor das restantes, poderemos encontrar diversos casos de estudo que comprovam o sucesso da exploração económica de pequenos nichos de mercado como os da observação da natureza (aves, baleias e cachalotes, vulcões, etc.); trekking e montanhismo; iatismo e outros desportos náuticos; temáticas culturais e muitas outras, denotando um franco potencial económico-cultural que, conforme os indicadores disponíveis, comprovam a importância para o todo regional e a satisfação/aumento de procura dos seus utilizadores/clientes.
Se existem evidências históricas com que aprender, a de que as monoculturas/monoatividades não resultam num universo arquipelágico de 9 ilhas e pouco mais de 200.000 habitantes será uma delas.
Não durou com a laranja, que teve o seu período áureo no século XIX; não sobreviverá, ao atual estertor, a vaca e seguramente não será o turismo de massas o passaporte para o Eldorado atlântico.
Torna-se imperioso que o exercício de reflexão a desenvolver por toda a sociedade açoriana (governo regional, autarquias, associações profissionais ou corporativas e empreendedores individuais) se debruce sobre as características intrínsecas de cada ilha ou local, identificando potencialidades a explorar/dinamizar, aconselhando e apoiando as pequenas e médias empresas no seu desenvolvimento, potenciando a diversidade e complementaridade nas ações e desincentivando a replicação intensiva e excessiva dos casos de sucesso, sob pena de acabarmos por “matar a galinha dos ovos de ouro”.
Talvez este não seja um caminho generalizável a todos os açorianos, mas seguramente será uma hipótese válida para muitos de nós e um sinal inequívoco da maturidade de um povo, na luta pelo seu futuro não dependente de terceiros.
Pensemos nisto!
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