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A atração pelo abismo

Segunda, 11 de Agosto de 2014 906 visualizações Partilhar

Em ano de fatídico centenário do início do primeiro conflito global, pressentem-se na atualidade tensões e tentações de reedição do fenómeno, que trucidando o futuro das populações, tenderá favorecer os sempre presentes “senhores da guerra”.

Das alegadas certezas da economia, destaca-se uma jóia retórica, segundo a qual as guerras se revelam potenciadoras de crescimento económico, justificando a destruição massiva de vidas e de património, originando uma recuperação mirífica após o fim dos conflitos.

Refletindo sobre os epicentros conflituosos que se perfilam no horizonte, poderemos concluir que o crash bancário de 2008, contaminando o mercado bolsista globalizado, vem semeando o planeta de estratégias políticas pouco consentâneas com a paz generalizada que todos desejamos.

Um pouco por todos os continentes se revelam focos simultâneos de instabilidade, que extremando conflitos nem sempre recentes, eficazes na construção ficcionada de inimigos públicos coletivos/nacionalizáveis, nos poderão arrastar (a curto prazo) para um caminho de difícil retorno.

Contornando inexplicavelmente a diplomacia internacional e acobertando perigosamente interesses não revelados, recriam-se tensões que, da Ucrânia à Coreia do Norte, dos países do Magrebe (Iraque, Líbia, Síria, …) ao Afeganistão,… nos deverão consciencializar dos riscos, forçando a comunidade internacional a estancar esta escalada de violência que se avizinha.

Bem sei que o período de veraneio que atravessamos não é propício a visões catastróficas e que o que realmente queremos é esquecer crises, guerras, empregos, … dedicando os curtos dias de férias a um cenário familiar e harmonioso. Mas, por quanto tempo isso será possível? Os habitantes dos países atualmente em conflito também não gostariam de usufruir desse tipo de férias?

Num mundo em que dificilmente se encontram países inocentes, e onde todos os acontecimentos têm múltiplas leituras e contraditórias interpretações histórico-políticas, como poderão as populações criar mecanismos de proteção/decisão que influenciem claramente o futuro, enfraquecendo os segmentos parasitários que florescem no seio do caos?

Como poderemos contrariar a chegada dos “cavaleiros do apocalipse” e proteger os nossos?

…entre o Pico e a Terceira, 8 de agosto de 2014

Colunista:

Paulo Vilela Raimundo

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