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Direito e obrigação

Segunda, 25 de Agosto de 2014 796 visualizações Partilhar

Recorrentemente perguntam-me sobre a motivação que, nos últimos meses, me vem levando a escrever textos de opinião e a divulgá-los através dos órgãos de comunicação social.

Não sendo uma matéria sobre a qual eu próprio me não questione, concluo que se trata essencialmente de um “grito” de cidadania, em período de destabilização generalizada e parco de valores simbólicos, associado a uma vontade profunda de que algo (muito) mude.

Estranhamente, e para muitos dos que me rodeiam, este procedimento é considerado perigoso (por poder conter críticas a decisores políticos) ou de auto valorização (para quem o considera uma gabarolice sem justificação).

A verdade é que não me revejo numa sociedade castrada de ideais e de ambição, onde a opinião se omite para que nada de mal nos aconteça.

Num Portugal detentor de uma alegada democracia jovem, não poderemos esquecer que há uma longa caminhada a fazer, de modo a que esse sonho maioritário se concretize na sua plenitude, sendo obrigação de cada um de nós desenvolver mecanismos próprios de análise da conjuntura onde nos inserimos, tecendo, por ventura, um conjunto de opiniões, sustentadas em eventuais ideologias (tão raras nos dias que correm), que nos habilitem a colaborar nas decisões.

É sempre adequado olhar o passado e recordar que o direito de voto no nosso país somente foi alargado a ambos os sexos em 1974 e que desde então, grande parte das expectativas (ingénuas quiçá!) se vem desvanecendo nas últimas quatro décadas, por falta de empenho de todos nós.

Parece-me demonstrado que é perigoso compactuarmos, por omissão, nas escolhas que nos afetam diária e continuadamente, deixando a escolha final na mão de quem, por vezes, nem reconhecemos a existência.

Nos últimos tempos temos pago um preço bem alto pelo facto de forças dos alegados “mercados” não regulados (agências de rating, multinacionais, fundos de investimentos, lobbies sectoriais, etc..) virem cerceando a economia nacional e internacional, sem que nos seja dado a hipótese de agir, decidir ou mesmo de estarmos informados realmente sobre o que vai acontecendo.

Não será por acaso que Portugal tem hoje uma das mais desiguais distribuições de rendimento da Europa e uma das taxas mais baixas de protesto popular.

Chamem-me idealista, ingénuo ou de encobrir um estratagema qualquer, mas a verdade é que acredito sinceramente numa sociedade proativa que, em democracia sólida e fundamentada, discuta e contribua na defesa e construção do futuro da “polis”.

Neste meu modo de participar/opinar lanço-vos o repto para que todos (sem exclusões prévias) nos mobilizemos para exigir a informação necessária ao bom entendimento da realidade e não declinando a responsabilidade (que é só nossa), influenciemos com a nossa vontade os que por nós foram eleitos.

Vem sendo esta a minha maneira de me mostrar presente. Qual é a sua?

 

Colunista:

Paulo Vilela Raimundo

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