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Porquê?

Quinta, 16 de Outubro de 2014 904 visualizações Partilhar

Mas porque será que se acorda todos os dias de manhã, se sabemos, que à partida o nosso dia será cinzento e repleto de problemas? E porque é que esses problemas ao de ser meus e não de um qualquer outro indivíduo dos sete mil milhões que existem no mundo? Numa população imensa como a do planeta Terra, eu tenho um problema, dois ou três, mas nenhum igual aos problemas dos outros. Este é meu, e foi acarretado por mim, sei lá bem porquê. Quando, havia mais 6,999,999 pessoas, e a escolha recaiu sobre mim. Maldito, sejas força que dás a nós humanos, as virtudes, os defeitos, os erros, os pecados, os problemas, as soluções ou a própria vida. Tens um problema bem maior entre as mãos, equilibrar o bem e o mal. Mas quem és tu? Força? Dei-te essa designação involuntariamente…. Há quem diga Deus ou o próprio Universo.

É essa complexa necessidade de perceber a existência que me tira o sono. Entender o porquê das coisas. Se sou mais virtuoso do que tu ou menos? Se sou pior ou melhor na escola, do que tu e o porquê de ser assim? O porquê de ser bom nisto e nisto, e mau naquilo e naquilo. Esta força dá a uns tudo, a outros pouco ou nada. E porquê? Esta força maltrata a dignidade humana, faz questão de criar guerras e destruir a paz. Gera confusões entre os homens. Ridiculariza a mente humana a cada segundo, porque criou um mistério impossível de ser decifrado, mas sempre, possível de ser questionado. Eu nasci, só que não sei quando morro. Quem terá esse poder de decidir sobre a minha vida? De dizer quando é que eu hei-de morrer ou quando hei-de agir.

Porque mudamos de convicções em virtude da argumentação mordaz das outras pessoas? Porque nos tornamos maus, se já fomos bons e tivemos uma educação exemplar? Porque somos humanos, racionais, e existem animais irracionais, por sinal? Não serão os animais racionais e nós irracionais? Se o termo perfeição não existe na prática, porque falamos nele na teoria e dizemos sempre que é o objetivo chegar à perfeição?

Porque nascemos, vivemos e morremos, sem fazer aquilo que queremos? Porque é que uns morrem novos e outros velhos? Porque é que existem pessoas sem nada para comer, e nós com tudo e ainda deitamos fora? Porque é que um inocente há-de ser preso, e um bandido há-de estar livre e a passear por aí, aproveitando a liberdade com total rudeza?

E criamos rótulos às coisas. Criamos termos, sem sentido de existência. Para quê criar a terminologia sexual, homossexualidade, bissexualidade ou heterossexualidade? Ou criar a palavra raças, e depois termos, imediatamente, a seguir, de criar a palavra racismo? A existência das palavras motiva coisas enormes e más. Vejamos a criação da palavra raças, o que deu origem. Levou ao racismo. Ou as religiões? O poder do catolicismo, que prende crentes e não os deixam ser livres, ou a força destruidora que é o islamismo. Para quê criar coisas, em nome da fé, se lhe estão associadas aspetos muito negativos.

Será tão difícil questionar a existência e perceber que toda ela é um acumular de coisas inexplicáveis. Coisas sem sentido, pelo menos. É fácil criar objetivos de vida ou valores universalmente aceites. O pior é manter-se no caminho certo para os seguir e atingir.

São mais perguntas do que respostas. Eu não tenho precisão e sabedoria suficiente para responder a questões deste tipo. Só posso formulá-las.

Colunista:

Emanuel Areias

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