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Branco ou Preto?

Sexta, 17 de Outubro de 2014 870 visualizações Partilhar

Confesso-vos que já não posso ouvir falar em crise, conjunturas internacionais, mentiras continuadas e outros quejandos.

Talvez por não ser o único se replicam, no nosso quotidiano, estratégias individuais ou de grupo que, oscilando entre um conservadorismo artificialmente congelado e uma abertura de horizontes que põem em causa todo o conhecimento tido como adquirido, nos vão levando a refletir sobre o nosso papel na atualidade e sobre o nosso passado coletivo.

Se bem que a História sempre teve nuances nacionalistas, nem tudo o que se aceita como verdade será obrigatoriamente falso, podendo porém ocorrerem episódios reveladores de informações complementares que poderão corrigir algumas conclusões institucionalmente validadas.

Muito se tem discutido sobre a possibilidade de, anteriormente ao povoamento português dos Açores (Séc. XV), terem ocorrido em algumas destas ilhas desembarques de humanos, fruto das capacidades de navegação, já comprovadas, de alguns povos da antiguidade (Fenícios, Cartagineses, etc..).

Nesta fase tão lusa de discussão de possibilidades, ou de negação destas, veio até nós Sir Barry Cunliffe, professor emérito de arqueologia e súbdito da coroa britânica de renome internacional que, numa conferência proferida nos Paços do Concelho do município angrense, afirmou que esses eventuais contactos poderão ter ocorrido, face ao que hoje se conhece da capacidade de navegação em oceano aberto desses povos.

Referiu porém um aspeto que aponta para a necessidade de comprovar as teorias do possível com investigação aprofundada e, caso tal seja possível ou necessário, procedendo-se a prospeções arqueológicas que as comprovem.

O cerne da questão parece-me estar aqui!

Independentemente do equacionar de possibilidades arqueológicas, e não pondo em causa a credibilidade dos pensadores e o seu empenho na investigação documental, a verdade é que até esta data não existem quaisquer artefactos conhecidos ou documentos de reconhecido mérito histórico que atestem sinais de ocupação das ilhas atlânticas portuguesas anteriores ao povoamento luso iniciado no século XV.

 

Paralelamente, e segundo julgo saber, não têm sido solicitados os necessários (porque legalmente instituídos) pedidos de autorização para realização de prospeções arqueológicas ao departamento do Governo Regional dos Açores que tutela as matérias de cultura, o que demonstra algum desinteresse ou indisponibilidade para, cientificamente, comprovar ou rejeitar essas mesmas hipóteses.

Consciente das potencialidades que o conhecimento histórico e aprofundado teriam num território que se pretende afirmar como destino turístico cultural, (e envolvendo neste exercício de investigação a Universidade dos Açores, o Governo Regional dos Açores, as autarquias e os investigadores interessados) será de evitar que a insistência numa discussão extremada nos afaste da busca do verdadeiro conhecimento.

Eu e a assembleia interessada, da passada quarta-feira, fomos confrontados com uma verdade universal: a noção de realidade passa obrigatoriamente pela comprovação inequívoca de uma teoria, por muito sólida que esta seja.

Queremos conhecer o passado ou ficar-nos-emos pela discussão coloquial das hipóteses?

Colunista:

Paulo Vilela Raimundo

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