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Os donos e… os que julgam ser!

Quarta, 29 de Outubro de 2014 937 visualizações Partilhar

Bom seria que os governantes “in lato sensu” interiorizassem o conceito alegadamente verbalizado por David Cameron, numa conversa com Durão Barroso, afirmando que “… o povo é o meu patrão, não é a União Europeia.”

Infelizmente, a realidade é outra e, como muitas vezes é referido, “o poder corrompe e o poder absoluto corrompe absolutamente”.

Desde que a história é história, se vem assistindo a um degladiar pelo poder (múltiplas vezes efémero) de forças sociais, familiares, religiosas e afins numa luta insana de poucos, onde sistematicamente se subjugam os demais.

Com o passar dos séculos o confronto mantém-se, embora ciclicamente se vá recriando, propiciando aos protagonistas a troca de roupagens e de conceitos ideológicos que justifiquem a imagem pretendida.

Em Portugal como no resto do mundo o processo tem sido idêntico: das monarquias absolutas às parlamentares, da primeira república ao Estado Novo, … chegámos ao atual regime dito democrático, com os mesmos tiques autoritários e o sentimento de tudo poder dos nossos governantes avassalando-nos e surpreendendo-nos dia a dia.

Recentemente, o país assistiu através da comunicação social a um conjunto de afirmações do primeiro-ministro, proferidas num ato público em que esteve presente, acusando os comentadores políticos (muitos do seu próprio partido) e os jornalistas de um modo geral, de serem “preguiçosos” e “patéticos”…

Tudo isto porque, por muito que a coligação governamental invista em propaganda, torna-se por demais evidente que “o barco vai à deriva”, apenas sujeito aos humores e interesses dos grupos financeiros internacionais e às orientações/imposições políticas vindas do eixo Berlim/Paris.

Esta hostilidade para com os que verbalizam opiniões contrárias ao guião governativo demonstra sérias brechas no “verniz democrático” do governante em análise, reforçando a ideia de que algo vai mal e de que mesmo assim este governo não sente necessidade de atender as ambições dos seus concidadãos, na defesa das liberdades fundamentais, do estado de direito e da igualdade social, omitindo continuadamente as justificações do vem fazendo em defesa (ou na destruição) do nosso futuro coletivo.

As conclusões obtidas pela maioria da população portuguesa, que já não exclui largas franjas do eleitorado identificado com os partidos coligados no atual governo, arrastam de novo para o palco mediático da discussão pela “polis” da necessidade de termos governantes competentes, atentos às necessidades e interesses nacionais e, acima de tudo, detentores de humildade para com os seus eleitores.

Por muito cobiçáveis que possam ser as verbas avulsas resultantes das privatizações de empresas públicas rentáveis e estratégicas, para os continuados “remendos de recurso” dos orçamentos gerais do Estado, e no seu efeito direto e pontual na redução ilusória do sacrossanto défice anual, urge inverter-se o caminho até agora seguido, pois está a pôr-se em causa a independência do nosso país.

Para a dignificação dos cargos públicos e dos símbolos nacionais, verdadeiros aglutinantes da nacionalidade portuguesa, torna-se obrigatória a reforma do sistema político-partidário, aproximando o cidadão do deputado, exigindo que os nossos representantes parlamentares vigiem e fiscalizem efetivamente as ações do governo e que o governo preste contas do que vai fazendo.

Creio que não resta mais tempo para renegar afirmativamente a tendência de culpabilizar “os outros”. Chegou a hora de, banindo a incompetência e o carreirismo ficcionado, construirmos um governo composto por pessoas capazes e de generalizadamente caminharmos pelo futuro.

 

Colunista:

Paulo Vilela Raimundo

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