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Respeito pela vida

Quarta, 29 de Outubro de 2014 1304 visualizações Partilhar

Tive quase a assistir a uma morte nas estradas. Realmente, a pressa é inimiga da perfeição. A partir do momento em que as passadeiras começam a ser desrespeitadas, tornam-se desnecessárias e sem razão de existirem. Talvez por não estar habituado à rapidez desmedida e à pressa aflitiva, não ultrapasso sinais vermelhos, a correr, arriscando assim sofrer uma pancada de um mini ou de um BMW. Os semáforos são para serem respeitados, porém quando vemos um carro longe, decidimos atravessar com intuito de não perder dois ou três minutos para a espera. É um risco.

No outro dia, uma mulher parou em frente do carro. Se a travagem não ocorre no último segundo, teriam sido os últimos segundos de vida da dita senhora. O travão foi molestado pelo pé do condutor. Só me lembro, do ar estupefacto da mulher que agradeceu, de mãos postas, ao condutor por não a ter atropelado ou então ao destino por não ter limitado a sua vida naquele dia, a um atropelamento causado pela ânsia de chegar a um qualquer lugar. Há que respeitar a oportunidade de viver. Há quem não tenha tido essa possibilidade. A vida é dada a nós, uma única vez, e não há segundas vidas.

E eu boquiaberto por ter assistido a uma quase morte. É evidente, que na capital as pessoas são demasiado apressadas. Vê-se isso a cada minuto. Até no rosto é visível a proibição de se atrasar. Acho que aqui se preparam máquinas, em forma de humanos, para a vida. O lado humano esvai-se de dia para dia. Fica a parte robótica. Não há tempo para pensar no lado bom e natural da vida. Todas as pessoas, aqui, assumem uma posição artificial. A artificialidade corrompe a naturalidade.

Eu prefiro perder um minuto para a inércia, do que perder um segundo para a vida. Eu prefiro perder para o mundo, para a escola ou para o trabalho, mas ganhar sempre, sempre para a vida. É um princípio de respeito pelo destino e de evitar situações de quase morte física e mental.

 

Colunista:

Emanuel Areias

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