Escapando a um domingo chuvoso e pleno de um voyeurismo negro mantido omnipresente nas notícias e nas conversas ditas “de café”, fruto de avassaladoras realidades (infelizmente) cada vez mais presentes na vida dos portugueses, tive a feliz oportunidade de assistir à cerimónia de entrega dos prémios de mérito cívico e académico aos alunos da escola Tomás de Borba.
Contrastando com escândalos e demais motivos de descrédito nas figuras públicas e nos símbolos nacionais que estes representam ou representaram, fui confrontado com um conjunto de provas concretas que me levam a pensar que o futuro poderá ser diferente.
Numa escola que dignifica o nome do musicólogo e pedagogo terceirense Tomás de Borba, que se mantém aberta à sociedade onde se insere, como bem demonstram as recentes atividades desenvolvidas no âmbito das comemorações do centenário do nascimento do artista (também terceirense) António Dacosta, assume-se o complexo desafio de lecionar para uma faixa etária que se espraia da pré-primária ao secundário, implementando a interação do ensino especial ao artístico e demonstrando, em todas as frentes, um respeito pelos diferentes ritmos de apreensão e as distintas vocações (artísticas, desportivas ou outras) de cada um.
Inseridos numa escola que se assume como inclusiva, artística e respeitadora das diferenças individuais dos seus atores (alunos, professores e demais funcionários), sucederam-se os alunos que, como resultado desse ambiente multifacetado e solidário, foram reconhecidos pelos seus desempenhos comportamentais e/ou educativos.
É sempre saudável pensarmos que a escola levará, através dos seus alunos, à construção do amanhã. Não podemos é negligenciar a importância do papel da família nesse processo de “construção” dos homens e mulheres do devir, nem teimar em negar as suas capacidades, as características pessoais, os interesses próprios e, talvez como mais importante, os sonhos (a criar e a manter providos de “alimento”).
Nas mais variadas áreas de atividade e/ou conhecimento, reconheceu-se o empenho e a capacidade de (mais importante de se ser o melhor…) se ser capaz.
Dessa confiança arduamente atingida pelos alunos, devidamente acompanhada pelos pais, professores e demais comunidade educativa, só poderão resultar indivíduos capazes, seguros do seu valor e da importância do trabalho.
Pelo que vi e ouvi, e acreditem que foi muito e relevante, quedei-me a pensar que talvez exista futuro digno e honroso para este país tão deficitário de um lugar digno no mundo globalizado que temos.
Dou os parabéns à sociedade que tão bem soube compreender e acarinhar os seus mais novos, fazendo votos para que ao longo da sua formação, na busca da maturidade vocacional, lhes saiba transmitir princípios éticos e de conduta, condizentes com a esperança que eles nos oferecem.
Não esqueçamos que esse amanhã depende de todos nós!
Terra-Chã, 23 de novembro de 2014
Paulo Vilela Raimundo
Colunista: