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Toque a Rebate!

Sábado, 03 de Janeiro de 2015 845 visualizações Partilhar

Em várias das Crónicas do ano que terminou – mesmo sem passar hoje em revista os acontecimentos mais significativos da vida política (administrativa, parlamentar e institucional), socioeconómica, cultural, associativa, comunicacional, religiosa e cívica do País, dos Açores em geral e da Terceira em particular –, relembro ter aqui acentuado que muitos dos reveses, retrocessos ou impasses em que cumulativamente fomos caindo e que atingiram de modo implacável e preocupante as dinâmicas (e a falta delas...), os tecidos societários e as diversas estruturas materiais e mentais da nossa comunidade, foram devidos, em parte grande, a toda uma série de abdicações, cumplicidades e acomodações públicas e privadas dos agentes, sectores e organismos locais (que é como quem diz dos seus actores e vozes) mais historicamente dantes relevantes, interventivos e conscientes, mas que, infelizmente, vem sendo reduzidos a simples ecos ou impotentes espectadores de um estagnado charco, quais caixas de submissa ressonância de toda uma panóplia de interesses estrategicamente pensados e executados a nível regional e por aqui aceites de cerviz dobrada...

É claro que tudo isto dramaticamente acontece em conta, peso e medida perante a total ausência de consciência e de horizontes (de futuro e de passado!) a que parecemos condenados, tanto mais quanto, por muito que nos custe assumir, a realidade e a imagem que tem sido dadas (ou consentidas) da nossa ilha e daquilo que já (não) valemos em certos domínios, correspondem de jure e de facto ao represado patamar de menoridade aonde chegámos (amiúde por culpa própria, cumplicidade silenciosa, ignorância, preguiça e serventias de todo o género), numa escalada de falências sistémicas (estruturais e humanas) que dificilmente superaremos sem lideranças mobilizadoras, sem elites esclarecidas e sem colectividades trabalhadoras e empenhadas!

– Deste ponto de vista, uma atenta comparação entre os valores e os quotidianos que nos cercam e o mundo vivido, visto e problematizado há meio século (tal como v.g. nas páginas da Comunicação Social de então ficou arquivado, conforme veremos), poderá constituir um bom exercício crítico e, quiçá, um toque a rebate para os tempos ainda mais difíceis que vão chegar...

 

Colunista:

Eduardo Ferraz da Rosa

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