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Recorrências da História

Sábado, 10 de Janeiro de 2015 890 visualizações Partilhar

Nas suas reflexões sobre a História e o Conhecimento Histórico, e naquilo que nele desempenha um papel crítico fundamental na formulação da sua própria filosofia, Giambattista Vico (1668 - 1744) desenvolveu toda uma teoria baseada nos conceitos de “corsi e ricorsi”, categorias usadas para tentar explicar a sucessão ou o percurso recorrente das três fases ou estádios pelos quais as Civilizações passariam, conquanto não exactamente de modo cíclico, antes como que em espiral (e em todo o caso sempre de modo não linear nem positivisticamente teleológico), propondo assim o pensador napolitano um modelo de interpretação dos movimentos e processos históricos, jurídicos, filológicos, simbólicos e poéticos que teria influência em diferentes filósofos, historiadores, romancistas e sociólogos posteriores (v.g. Condorcet, Marx, Nietzsche, Comte, Benjamin, Voegelin, Ricoeur e MacIntyre).

– Mas vem isto mais a propósito dos dramáticos acontecimentos que marcaram o nosso quotidiano nos últimos dias e horas, e que não podem deixar de fazer-nos pensar mais profundamente sobre tudo aquilo que parece assomar de novo como factores dinâmicos, elementos ideológicos e valores práticos (des)estruturantes das Sociedades e Estados, desde os actualíssimos fenómenos do Terrorismo à escala global (agora mais sensivelmente próximos e agudizados devido aos criminosos atentados em França!) até aos tão mediatizados desplantes eborenses nacionais (perante o Direito e a Justiça...) e aos compreensíveis e justificados alarmes regionais (comprovação aliás do já esperado!), face aos desfechos na Base das Lajes.

Ora – independentemente de aos outros assuntos voltarmos –, mas perante as já conhecidas e primeiras reacções institucionais portuguesas ao anúncio das reduções de efectivos nas Lajes, que se mais se poderá acrescentar hoje (a não ser um triste meneio de cabeça...) ao que tanto foi aqui dito e redito ao longo dos últimos anos (pelos menos desde 1994...), perante as inteligências e competências moucas, incríveis inércias e faltas de credibilidade política, partidária e técnica de todas as partes envolvidas neste histórica e recorrentemente falhado encontro com o destino de Portugal e com a realidade nua e crua do mundo contemporâneo!?

 

Colunista:

Eduardo Ferraz da Rosa