Chegada ao fim desta fase da investigação (e prestes a iniciar a da Serra da Ribeirinha) comparo os resultados com os objectivos iniciais e verifico que: a) foi completada e publicada (1) a identificação/caracterização dos achados através da antropologia do espaço; b) notícias sobre os mesmos atingiram (oficial e oficiosamente) quer as autoridades locais quer centros de estudo no país e no estrangeiro - de tal modo que ignorá-los agora já não será considerável distracção nem atitude justificável; c) as populações que mais directamente poderão fruir este bem, tanto como benefício cultural como produto económico, foram elucidadas sobre as potencialidades ali existentes. Assim, alguns dos propósitos foram cumpridos. Quanto aos outros, aguardo que o processo psicológico de acomodação desta nova informação vá acontecendo, respeitando o ritmo de cada um. Por mim, egoistamente espero que não demore muito... Especialmente para que não se perca o elam criado, de cujo “clamor público” poderá resultar o anunciado reconhecimento pela autoridade responsável. Mesmo sabendo que este projecto irá sempre colidir com os desígnios políticos sobre as áreas do arquipélago destinadas ao desenvolvimento turístico (nas quais a Terceira nunca teve grande relevo), confio que o respeito pelos direitos dos cidadãos ao gozo de um bem público (cujo interesse ultrapassa o âmbito nacional) venha a acabar por se impor. Saberão os terceirenses utilizar esse “clamor público” no próprio desenvolvimento económico? É o que deixo nas suas mãos e nas dos seus defensores oficiais, aliás, numa tarefa cada vez mais facilitada pelo constante surgir de novos achados/provas.
Por outro lado, este estudo está a operar maravilhas na transferência do saber teórico para o empírico, honras prestadas à fenomenologia, que Breden e Tylley utilizam em opções pragmáticas, mas da qual uma verdadeira lição nos é transmitida por Hubert Dreyfus numa longa palestra/entrevista disponível (audível) na Internet em: http://www.youtube.com/watch?v=aaGk6S1qhz0
Aí, a proposta dos dois filósofos mais responsáveis pela transformação do pensamento moderno, resumida em “Husserl, Heidegger and Modern Existentialism” é debatida em termos comuns, bastante acessíveis, revelando detalhes dessa nova aproximação ao “conhecimento”. Qualquer pessoa interessada em corrigir as “entorses epistemológicas” a que foi sujeita devido à predominância do processo “racional” de pensar, pode exercitar-se pondo em prática a abordagem fenomenológica na Serra do Cume. Garanto-lhe que terá uma experiência inolvidável!
Por fim, quanto à vertente arqueológica, e na sequência do que foi aconselhado por Barry Cunliffe, a vinda de um especialista britânico em arte rupestre pré-histórica (por ele indicado e através da Câmara de Angra) irá testar as potencialidades ali expressas, assim como na Serra da Ribeirinha, aparentemente congéneres e que nos espreitam do outro lado da grande planície: resultados que prometo tornar públicos por este meio, embora sem a mesma regularidade (e se me for concedido espaço) mas também pela publicação académica, que vai correr mundo através da Amazon.com, assim como pela apresentação em congressos (já programada). De qualquer modo, a divulgação desta nova “geografia Atlântica” já não será silenciada.
(1) “The Rock Basins of Serra do Cume” Amazon.com
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