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A Serra do Cume (13)

Quinta, 19 de Fevereiro de 2015 1116 visualizações Partilhar

A vinda do arqueólogo e antropólogo britânico George Nash (indicado por Sir Barry Cunliffe) à Terceira, com a finalidade de colaborar na investigação em curso na Serra do Cume, causou uma grande alteração no que foi a primeira dimensão do empreendimento. Recordo que inicialmente, este projecto (a executar através da Universidade do Porto) destinava-se à realização de um simples registo das muitas bacias talhadas na rocha mãe.

A enorme quantidade destes objectos, o facto de as pias serem “entalhadas” em rochas e em locais quase inacessíveis, e até a própria dimensão de algumas delas, pareceu justificativo suficiente para o estudo. Recordo ainda que, pouco depois de iniciado, foram surgindo (por indicação dos donos/ou arrendatários dos terrenos), possíveis correlações espaciais das pias com as figuras em forma de humanos e animais (usualmente designados “Geoglifos”), assim como com as longas filas de grandes rochas que formam parte das paredes em áreas vizinhas. Toda esta situação, pelo inusitado da sua localização - nos Açores (e devido aos seus misteriosos contornos), foi por mim considerada suficiente para despertar o interesse turístico e a necessária “boa vontade” das entidades directamente responsáveis no alargamento à Ilha Terceira das infra-estruturas necessárias a um enquadrando adequado para estas novas áreas. Tal facto não parece estar a ser levado em conta, o que me fez pensar que, a bem da consolidação desta situação, seria necessário chamar ao cenário novos recursos, neste caso proveniente das “ciências exactas”.

Na verdade fui mais levada a essa decisão do que propriamente a planeei racionalmente. Mas seguindo a opinião do Prof. Nash, que considera a vastidão de indicadores da actividade humana neste misterioso cenário, um imperativo merecedor de uma operação interdisciplinar em grande escala (a qual irá conseguir a contextualização apropriada desses indicadores e a revalorização do todo em que se inscrevem), o envolvimento de algumas ciências exactas trará um complemento à “gestalt”, não só do espaço em estudo, mas também da Ilha e do Arquipélago.

Tal alargamento do projecto irá então, em consequência, permitir à Ilha Terceira assumir a posição que lhe cabe, na resposta aos enigmas que encerra e que têm sido escondidos sabe-se lá com que propósitos…. Como objecto de estudos variados a partir dos quais os actuais testemunhos dessa “misteriosa” actividade humana poderão mais facilmente ser incluídos numa visão geral, a Ilha Terceira fornecerá ao mundo mais esse contributo.

Seguindo tal propósito, está presentemente a ser elaborada uma candidatura a fundos Europeus que tornará possível a cooperação de várias personagens centrais no actual campo da investigação em ciências exactas.

Mas a questão coloca-se de novo: qual a posição do mundo perante a actividade humana constatada na Serra do Cume?

Podemos discutir esse e outros aspectos com alguns dos participantes, que estarão na próxima 2ª feira, entre as 18h e as 20h, no Centro Cultural, em Angra.

 

 

Colunista:

Antonieta Costa