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Carnaval, maravilhaste-me

Sábado, 21 de Fevereiro de 2015 852 visualizações Partilhar

O Carnaval passou com aquela sensação de rapidez profícua. Um sentido rápido de passagem que deixou à nossa cultura mais do que aquilo que ela tinha em si, antes de 2015. O Carnaval não morreu aos braços de uma despedida. Renasceu para a vida. Para mais uma vida, vivida com grande intensidade. Foi fantástico, sublime e esplendoroso. Danças e bailinhos mostrando que o teatro popular terceirense é o melhor que há. Não lhe é o devido valor. O nosso Carnaval é muito de casa. É muito nosso. Devia ser mais dos outros, para ser mais valorizado.

Não me vale de nada fazer análises as danças porque não vi todas. Apenas faço breves referências àquilo que vi e me deliciei. Realmente o Carnaval está cada vez melhor. A inovação cresce e não se perde no imbróglio inerente à modernidade. Arrepio-me agora quando revejo o que vi ao vivo. Eu senti cada verso cantado. Eu renasci com cada música tocada.

Há que mencionar as vozes distintas que fazem o Carnaval ter mais valor. Não me cabe a mim particularizar ninguém em especial porque estaria a fazer um exercício de injustiça monumental. Numa opinião formada que tenho, devo dizer que me surpreendi mais uma vez com o Bailinho do Ramo Grande, excelentemente trabalhado, no que ao projeto teatral diz respeito. Estão num plano elevadíssimo. O Bailinho das Doze Ribeiras, pela irreverência, pela qualidade interpretativa dos seus atores e pela criatividade. Por isso merecem uma referência.

Pela composição poética distinta e pela execução primorosa, refiro o Bailinho da Terra Chã. Principalmente, as cantigas da despedida, escritas como só ele sabe escrever, por Fábio Ourique. De valorizar, a excelente voz que cantou cada verso, com total sabedoria vocal. Deixo aqui, a última cantiga, por ser das coisas mais belas que alguma vez ouvi: Ilha Terceira que és mãe de todos nós/ E hoje erguemos a voz/ Nosso berço maternal/ Ilha taurina/ De bravura e heroísmo/ De vitória e civismo/ Orgulho de Portugal/Ilha de festa/ Com seus poetas de rua/ Sábios versos de um Charrua/ Doces lábios da Turlu/ Ilha pequena/ Redonda que nem rosquilha/ Mas para nós, nossa ilha/ Não há outra como tu/ Por hortênsias és vestida/ Pelo mar abençoada/ Princesa adormecida/ Em berço de água salgada/ Terceira do Carnaval/ Sorriso mais que profundo/ Como tu não há igual/ És a rainha do mundo. Mais do que a complexidade ou excesso de criatividade em poesia, vale sempre mais a sua simplicidade e humildade. Maravilhei-me completamente por isto.

Carnaval, maravilhaste-me.

 

Colunista:

Emanuel Areias

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