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Tocar a rebate

Sexta, 27 de Fevereiro de 2015 930 visualizações Partilhar

Ultrapassadas as miragens paternalistas e adversidades várias, a ilha Terceira e os seus habitantes deparam-se com um cenário negro para os anos que se avizinham.

Adicionando-se à conjuntura nacional e internacional, eis que surgem no horizonte as nuvens premonitórias do fim das quotas leiteiras, da redução drástica dos efetivos militares americanos da Base das Lajes e dos empregos civis que (nesta) davam emprego a centenas de terceirenses.

Tudo isto já vinha sendo verbalizado como certo mas, numa postura muito nossa, foram-se empurrando os problemas “com a barriga”, dizendo para os nossos botões que depois se veria…

Pois já se vê! …e mais, já se começa a sentir.

Estando a “casa arrombada” muitas têm sido as iniciativas públicas, associativas ou simplesmente de cidadania que têm vindo a terreiro demonstrar a sua discordância no desenrolar dos factos, esquecendo que somos apenas, e pouco mais de, cinquenta mil almas atlânticas, sem qualquer impacto político ao nível nacional e internacional.

Nem é necessário repetir que os americanos, após sete décadas de permanência na ilha, fazem as malas e zarpam cheios de empáfia e sobranceria.

Também não é difícil entender que o próprio governo da república, venha discutindo este assunto sem acautelar os interesses açorianos e/ou trocando-os por outras maiores valias mais a contento do Terreiro do Paço.

A verdade é que chegou a hora de por as rivalidades e invejas de paróquia para trás das costas e unirmo-nos em torno do que é realmente importante: a sobrevivência digna de uma população e um futuro para todos os terceirenses e para os vindouros.

Não creio que existam soluções milagrosas que, em tão curto espaço de tempo, materializem alternativas eficazes de emprego e/ou substituam (numa sociedade insular de tão reduzida dimensão) a monocultura da vaca e o eldorado do “cerrado grande”.

Por muito que o desejemos não me parece realista pensar que o governo regional dos Açores poderá assumir financeiramente (e sozinho) todo um conjunto de medidas de substituição que compensem os nefastos ventos da atualidade.

A governo regional não se poderá exigir que “dê o peixe”, mas sim que, recorrendo à máquina administrativa que possui no terreno e aos técnicos conhecedores de inúmeras áreas multissetoriais, “nos ensine a pescar”.

Basta de insistirmos em sistemas de monoculturas e/ou monoatividades que nunca funcionaram no passado, nem irão funcionar no futuro.

Chegou a hora de enfrentarmos definitivamente a necessidade de diversificar, numa lógica de complementaridade insular e/ou regional, com o claro objetivo de sustentabilidade e autossuficiência para um horizonte de curto/médio prazo.

Urge por fim aos tiques de novo-riquismo e consumir locar, numa entreajuda solidária para com o nosso vizinho, fixando na região as maiores valias e fortalecendo o sistema (tendencialmente débil) do nosso meio.

 

Terra-Chã, 24 de fevereiro de 2015

Paulo Vilela Raimundo

 

Colunista:

Paulo Vilela Raimundo

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