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O meu Presidente da República

Quarta, 11 de Março de 2015 938 visualizações Partilhar

Como sempre acontece quando nos querem distrair do essencial, atravessamos mais um “tesourinho deprimente” nacional, onde uns (poucos e com tiques algo monárquicos) se envolvem na definição do perfil “adequado” para o próximo Presidente da República e outros (também minoritários e com ambições presidenciáveis) se contorcem para se enquadrar nesses questionáveis jargões.

Também desta vez, a classe política se esquece da abrangência e representatividade do cargo a preencher por sufrágio de dez milhões de portugueses, não se inibindo de “publicamente” se arrogarem ao papel de líderes sem mandato, enxovalhando ainda mais o lugar que ocupam.

Tudo isto me leva a pensar no que eu quero e no perfil do meu futuro Presidente.
Antes de me debruçar sobre o seu hipotético perfil académico, profissional e/ou as suas experiências publicas e privadas, começaria por procurar alguém em que (finalmente) pudesse confiar e que durante o seu mandato dignificasse essa confiança por mim depositada e, cumulativamente, o país a que honrosamente pertencemos.

Este hipotético cidadão nacional, deverá assumir a defesa da generalidade dos cidadãos nacionais contra todos os lobbies setoriais minoritários que, distorcendo a realidade social e o conceito de nacionalidade, enfraquecem o nosso País e envenenam o nosso futuro.

Com uma postura suprapartidária, não deverá, mesmo que dissimuladamente, tomar atitudes partidárias ou partidarizadas, assumindo claramente uma atitude salomónica, exclusivamente baseada na legislação em vigor.

Esse meu representante, ao assumir o papel de símbolo nacional, não compactuará com ilegalidades, irregularidades, esquecimentos e/ou outras nuances de recurso dos “assíduos e recorrentes frequentadores dos salões do poder”, defendendo por mérito próprio o orgulho de se ser português e exigindo (escorado na sua representatividade) o respeito de países terceiros.

Como primeiro defensor desta réstia atlântica, resistirá às tentações centralistas, confiando e reforçando as autonomias insulares, tudo fazendo para que no todo nacional se sinta um verdadeiro patriotismo tolerante e solidário, tendo em vista a erradicação definitiva do bairrismo serôdio onde só prolifera a inveja e o fracasso.

A credibilização do cargo (tão necessária em todas as áreas da representatividade político-governativa) será conquistada pelo conhecimento profundo do país real, pela coerência das declarações e das atitudes e, fundamentalmente, com humildade e sem tiques de superioridade ou de singular clarividência.

Ninguém consciente negará a necessidade de formação académica específica, conhecimento profundo dos sistemas políticos vigentes e noção clara do mundo em que (sobre)vivemos. No entanto, parece-me condição essencial ser merecedor do respeito da maioria (demonstrado nas urnas de voto) e dedicado defensor da totalidade dos portugueses.

Como em tudo na vida, e sempre que de uma estrutura hierarquizada se trata, terá de ter sempre em conta a “pedra de toque” que o obrigará a confiar para usufruir da confiança.
Para que tal missão possa ser dignamente cumprida contará connosco, eleitores, que vivendo num sistema republicano e (tendencialmente) democrático, não abdicaremos do nosso dever de escolher o futuro que queremos para nós e para os nossos.

Será que quando chegar “a hora” encontrarei o meu candidato?

Angra do Heroísmo, 10 de março de 2015

Colunista:

Paulo Vilela Raimundo

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