Azores Digital

--> Hoje, dia 16 de Novembro de 2018

O Instituto Histórico da Ilha Terceira

Quinta, 26 de Março de 2015 1506 visualizações Partilhar

Crónicas (16)

O Instituto Histórico da Ilha Terceira

Ontem, dia 24 de Março, realizei no IHIT, a convite, uma apresentação dos “Achados na Ilha Terceira”, numa reunião apenas para sócios. Em síntese, foi revista uma série de 7 destas “descobertas” que já têm um historial de 16 anos com carácter público, isto é: de informação geral, colectiva. Há 16 anos que o público é informado sobre dissonâncias existentes entre o que tem sido a voz oficial e o que pode (se quiser, ou se para tal tiver vontade) observar directamente. Esta informação foi ventilada não só pelos órgãos de comunicação social como também em jornais e publicações científicas, assim como em Congressos. Desde as questões primeiramente levantadas com as ruinas da Serreta, as rochas das Quatro Ribeiras e as Rilheiras, até às últimas notícias de 2015, houve um período de tempo considerável, se se tiver em conta o ineditismo do assunto e as consequências que a sua aceitação poderia ter para a economia local. Mas após as últimas questões suscitadas pela convulsão causada junto da arqueologia com as notícias postas a circular a partir de declarações do arqueólogo Nuno Ribeiro, as reacções do público que mais directamente seria afectado, têm sido surpreendentes (principalmente pela inércia revelada). E esta inércia é tanto mais surpreendente quanto atinge várias camadas transversais da sociedade (etárias, sociais, políticas, etc.), deixando as pessoas (aparentemente) na mesma situação em que estavam antes dessa (a todos os níveis) perturbante informação.

Pois bem – foi nesta conjuntura que surgiu o convite do Instituto Histórico da Ilha Terceira, possivelmente o organismo com mais profundas raízes na tradição - não de um Departamento de Turismo (já mais que instado a tomar conhecimento), ou de guias de turismo (igualmente contactados), Educação, Cultura, Ambiente, ou de particulares, conhecidos, amigos, etc. Desses apenas o silêncio/inércia.

Foi, portanto, de surpreender esta iniciativa. No decorrer da sessão apercebi-me de que, para a maior parte dos presentes, já nada do que foi apresentado seria novidade (dado que tem sido veiculado pela comunicação social) e que a diligência teria por finalidade um debate de ideias (que aconteceu abundantemente). Mas a questão permanece: face ao dilema lançado por todas estas “descobertas” não surge outra reacção que a de as confrontar a partir dos raciocínios estabelecidos: como explicar estes vestígios de ocupações anteriores se não existia capacidade tecnológica/marítima de cá chegar antes? Dificilmente se passará ao passo seguinte que será o da aceitação da realidade sem explicações. Como primeiro passo, para só depois se partir para a investigação.

É este confronto que as pessoas temem: o de não poder existir uma realidade sem explicações… (mesmo como situação temporária)

Como forma de ultrapassar a questão sugeri e insisti na visita directa aos locais de “confronto”. Desafiei desta vez directamente as pessoas (e o Instituto) a tomar a iniciativa de o fazer organizadamente, com inscrições e em grupos ordenados. Aguardo os resultados.

Antonieta Costa, 25/03/2015

 

Colunista:

Antonieta Costa