Crónicas (18)
A Serra da Ribeirinha
Ainda não acabei o estudo da Serra do Cume, que tem sofrido atrasos devido a depender do trabalho especializado de outras pessoas. Na verdade, nem o perfil geral das paredes em que se integram rochas do tipo “menhir” está traçado, nem o desenho padrão das pias e suas tipologias de base está concluído. Assim, faltando esses elementos, não posso terminar o material para edição do segundo volume, embora a localização por GPS dos sete grupos em estudo e respectivo posicionamento em mapa digital esteja já pronta. Mas, para além desses trabalhos que definem graficamente a Serra do Cume, estão ainda outros, como por exemplo (feito em colaboração com o Paulo Mendonça) o da fotografia em relevo, tirada às escuras e com luz rasante, de algumas das inscrições. Se o envio deste material (para computorização) resultar na obtenção de imagens inteligíveis, poderei assim facultar essa matéria-prima a especialistas para sobre ela trabalharem na respectiva descodificação sem que tenham, inicialmente, de se deslocarem à Ilha. A complementar esta informação que será “exportada” em bruto, está também a série televisiva de 13 episódios, cuja realização foi proposta pelo Instituto Histórico da Ilha Terceira, em parceria com a Emp. Média 9, em candidatura a subsídio através da DRaC, e que, a concretizar-se, irá definitivamente abrir ao olhar crítico internacional a matéria em estudo. Este último corresponde a uma fase do projecto geral (assumido com a Faculdade de Letras da Universidade do Porto) que tem boas garantias de vir a realizar-se, pois conforme já me propuseram leitores das “crónicas”, no caso de não ser deferido o pedido de financiamento, poderá ser aberta na Internet uma subscrição, para obtenção do necessário capital. É bem certo o dito “mais vale 1 imagem que 1000 palavras”. E não obstante todas as facilidades actuais para o uso da imagem, ainda não consegui a divulgação correcta (com qualidade profissional) por esse meio. Mas, a execução de panfletos de informação turística (que a Câmara da Praia da Vitória tomou a seu cargo), contando a estória das “cabeças de pedra” poderá ir nesse sentido.
Não obstante estas falhas no complemento do estudo da Serra do Cume (e que irão sendo concluídas gradualmente), é a Serra da Ribeirinha que começa a ocupar-me, com as primeiras visitas de prospecção. Embora já conhecesse de há alguns anos (por um colega), alguns sinais de outras culturas ali existentes, nada ainda do que vi foi aprofundado, quer recorrendo à fenomenologia, quer à Antropologia do Espaço. Sabendo que essas outras leituras têm a faculdade de tornar “visíveis”, ou de trazerem ao consciente, aspectos da paisagem apenas vislumbrados (os quais, por parecerem “naturais”, não obtém a atenção devida), estou á espera das condições necessárias para as aplicar. De momento, já verifiquei que a encosta Norte, no extremo Oeste desta Serra (examinei cerca de um terço da área) não contém nenhuma das marcas que estão visíveis no outro extremo. Existe, portanto, uma selecção clara de áreas preferidas. E é na superfície das rochas existentes nessas áreas (parecendo iguais a todas as outras) que foram feitas as inscrições e restantes marcas. Aqui começa o meu trabalho!
08/04/2015
Colunista: