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Sinergias

Terça, 12 de Maio de 2015 933 visualizações Partilhar

Quedo-me perante o canal Faial-Pico domingueiramente bonançoso, debruçado com um olhar introspetivo sobre o arquipélago que escolhi como casa, a sua identidade (tão única e tão diversa), suas potencialidades e oportunidades.

Neste universo de cerca de trezentas mil almas, dispersas numa enorme área atlântica onde os extremos (que muitos de nós ainda desconhecem), distam aproximadamente seiscentos quilómetros, sempre se viveu na dependência do exterior mas sempre se contou com uma (possível e por vezes difícil) entreajuda arquipelágica e de proximidade.

Suicidariamente, e como fenómeno recente, vem-se assistindo a divórcios vários e a uma proliferação de bairrismos insanos, entre territórios próximos e irmãos (Faial – Pico, Terceira – S. Miguel, Flores – Corvo,…) que só vêm agravar essa realidade geográfica e o futuro coletivo deste Portugal insular.

Torna-se por demais evidente que o compromisso político e legislativo de “caminharmos juntos na direção de uma verdadeira hegemonia açoriana e arquipelágica” se encontra cada vez mais arredada da agenda político-partidária.

Num momento em que na Terceira se discutem, ao mais alto nível, os cenários (obrigatoriamente paliativos) para colmatar o desinteresse já publicitado dos Estados Unidos da América pela Base das Lajes e os efeitos económico-sociais que daí resultarão, continuamos a ignorar o óbvio:

Com a reduzida população da Região, agravada pela sua divisão social e arquipelágica, dificilmente conseguiremos qualquer resultado expressivo e estruturante para o futuro dos Açores. Persentindo-se que a “carta” respeitante à Base das Lajes vem sendo “jogada” num jogo NATO, entre os EUA e a União Europeia, tudo indica que não estará disponível para nos “levar à vitória”, numa partida entre Portugal e o governo americano.

Paralelamente, e comprovado historicamente o insucesso das monoatividades e das monoculturas (laranja, vaca, turismo,…) teimamos generalizadamente em ignorar conceitos fulcrais como a diversificação, a complementaridade e a autossuficiência, que tendem a tornar-se em vazios chavões, por falta de convicção na ação.

O nefasto bairrismo, reforçado por um suicidário centralismo isolacionista, vem transformando as débeis estruturas administrativas, em simples máquinas de política(zinha de paróquia) que tendem a eternizar-se, privilegiando os seus, em prejuízos de outros eventualmente mais válidos, com custos irreparáveis para todos nós.

Usufruindo de uma visibilidade impar, que me propicia observar detalhadamente a ilha/espelho que me é fronteira/o, e conhecendo desde o berço o ditado onde se refere que “a união faz a força”, não encontro motivos para este continuado e tóxico “virar de costas”.

Urge mudar de estratégia, unindo as partes do todo e sem bairrismos artificialmente criados com o único fito de “dividir para reinar”, trabalharmos em conjunto para o futuro dos nossos.

Novas políticas procuram-se. Cidadania precisa-se!

Horta, 10 de maio de 2015

 

Colunista:

Paulo Vilela Raimundo

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