No próximo mês, entre 13 e 16 de Julho, irei participar no Congresso “Trans-Atlantic Dialogues on Cultural Heritage: Heritage, Tourism and Traditions”, onde vou apresentar resultados da minha investigação na Serra do Cume. Entretanto, na sequência do meu projecto, cumpre-me trazer ao domínio público este material, como abertura para uma prévia discussão.
O título da minha comunicação “The Travelling of intangible heritages: Atlantic crossings”, chama a atenção para a capacidade existente no mito, em geral, para expandir fronteiras geográficas.
Neste caso particular, vou apresentar os vestígios encontrados na Serra do Cume como possíveis manifestações de um mito que terá viajado até à Ilha Terceira. Trata-se de uma crença arcaica na sacralidade de formações rochosas (com formas humanas e animalescas), que é comum à antiga Lapónia, agora partes da Suécia, Noruega, Finlândia, Rússia e Ucrânia, mas que foi igualmente usual noutras partes do mundo.
O que vou salientar, na viagem de mitos deste tipo, é que ela parece seguir padrões que agora são copiados e aproveitados pelo turismo.
O tema principal da minha comunicação, ao centrar-se sobre este fenómeno do turismo de património imaterial, é o de chamar a atenção para a sua evolução e/ou tendências do seu progredir, para possíveis aproveitamentos locais. Note-se que o tipo de turismo de “sol e praias” dos anos 40s foi gradualmente divergindo para a procura de uma “natureza pristina”, mais fácil de encontrar em ilhas (para onde os cruzeiros se orientam), avançando depois até às regiões Árcticas e/ou Antárcticas, sempre na procura da tal natureza pura. Esta manifestação da tendência no fenómeno do turismo é por mim interpretada como ponte para o suporte de comunhão com uma espiritualidade original, onde se manifesta o mito.
As “cabeças de pedra” da Ilha Terceira, como naturalmente pertencentes a esse mito de procura de um tipo de espiritualidade existente na natureza, poderiam ser integradas nesta corrente, utilizando a tendência existente (enquanto aguardam por outro tipo de estudos), tal como acontece na Finlândia com o trabalho de Antti lahelma, ou Hanka Rydving, que prosseguem na escavação das áreas próximas das “cabeças” lá existentes e antigos testemunhos deste culto, recolhendo artefactos, enquanto os turistas gozam a vista e apreciam o esforço.
Para que tal suceda na Ilha Terceira, só é necessário integrá-las no mito certo, isto é: num da mesma família. Por exemplo, o da Macaronésia?
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