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Sexta, 19 de Junho de 2015 715 visualizações Partilhar

A que mito da Macaronésia se pode ligar o conjunto da Serra do Cume? Penso que, com base nas actuais definições oficiais, tanto da área marítima como da fauna e flora, pode partir-se para o que lhe poderá ter dado origem: por exemplo, as lendas Gregas a que a Geographia de Estrabão e depois a cartografia de Ptolomeu se referem, aparecendo em cartas, por volta do início da era Cristã. No mapa/mundo de Ptolomeu, as Fortunata Insule surgem situadas na região do Arquipélago das Canárias. No entanto, em posteriores portulanos, essa designação parece vaguear pelo Atlântico, ultrapassando os Açores, até às costas da Irlanda.

No século V, um monge Irlandês conhecido como “S. Brandão”, inicia acompanhado por outros, uma série de peregrinações Atlânticas na busca das Ilhas Afortunadas, onde pretendia recolher-se em meditação. Dos relatos que fizeram destas viagens resultou um género de literatura, classificada como “mística”, que compreende uma linha de narrativas tradicionais, dividida entre as “Immrama”, provenientes de viagens de descoberta, e as “Echtrai”, de viagens de aventuras, dois séculos depois impressas na obra com o título Navigatio Sancti Brendani. Este comportamento religioso liga-se ao peregrinari a que os monges dos primeiros séculos do Cristianismo Irlandês se obrigavam (como “mártires brancos”), talvez inspirados em Santo Agostinho de Hipona e/ou baseados numa interpretação Bíblica de que seria essa a vontade de Deus – “Sai do reino, afasta-te dos teus e da casa do teu pai e vem para a terra que te mostrarei”.

Tendo em atenção um projecto turístico, seria neste tipo de mito da Macaronésia que os achados da Serra do Cume se poderiam enquadrar, com base nos vestígios de uma espécie de culto que lhes aparece apenso e que, pela consistência com que se repetem, em ligação com as figuras de pedra, facilmente se podem documentar.

O fluxo turístico agora em desenvolvimento, manifestando uma tendência para a comunhão com uma espiritualidade original, proveniente da natureza, aceita englobar este tema, se convenientemente trabalhado. É o que tenho andado a “pregar” aos responsáveis (Governo dos Açores), sem resultado.

 

 

 

 

Colunista:

Antonieta Costa