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A Pós Democracia

Segunda, 29 de Junho de 2015 997 visualizações Partilhar

Mesmo que o tentemos ignorar, desenrola-se sob os nossos olhos o que poderá tornar-se no último confronto entre a Democracia e algo que dependerá exclusivamente das elites políticas totalitárias, que se representarão exclusivamente a si próprias.

Curiosamente é na Grécia, berço da política segundo a qual a soberania é exercida pelo povo, que esse braço de ferro se revelará conclusivo.

Como todos nos vínhamos apercebendo, e independentemente de regularmente nos chamarem a emitir a nossa opinião pelo voto, o conceito de demokratia (composto por demo [povo] e kratos [poder]) vem-se desvanecendo nos corredores do poder, ao ponto da escolha do nosso futuro ser primeiro discutida em Berlim, Paris ou Estrasburgo, para somente nos ser comunicado posteriormente o que nos irá acontecer.

A dormência causada pelos falaciosos apoios financeiros comunitários foi-nos tornando culposamente cúmplices dessa perda de independência nacional, ao ponto de conscientemente aceitarmos candidamente a impotência dos nossos governantes e de toda a elite política, que deveria defender o país e o seu povo.

Custará a assumir mas, a realidade é que o ilusório paraíso ocidental (Europa e América do Norte), veio sendo palco privilegiado de verdadeiras lutas políticas e financeiras, com o claro objetivo de impor uma elite preponderante/reinante para o futuro, tornando os seus povos em seres indolentes, gordos e cobardes.

A omnipotente e omnipresente globalização levou à queda da democracia que subsistia através dos Estados-Nação, dando lugar a um governo mundial não eleito (G8, …) e ao acantonamento de elites transnacionais (Clube de Bildergerg, …) que sentados à “mesa do poder” gerem o futuro de onze biliões de pessoas, em total opacidade nas tomadas de decisões políticas

A negação generalizada de toda a União Europeia face ao cataclismo grego, revela claramente o medo que todos os europeus do sul enfrentam, e que todos os europeus do norte aplaudem, deixando que os alegados casos de despesismo e de irresponsabilidade dos gregos justifiquem todos os males que lhes possam vir a acontecer.

Sejamos honestos! Aquilo que estamos a assistir é, em boa parte, ao abandono de um país à sua sorte, pelo facto de possuir um governo que foi eleito na sequência de um conjunto dos compromissos eleitorais e de os estar a cumprir.

Daquilo que a comunicação social nos vai permitindo saber, vem transparecendo uma proximidade forte (embora arriscada) entre os gregos e o seu governo, surpreendendo-nos (mesmos em risco de falência generalizada) que a população assuma os riscos e enfrente os poderes político-económicos internacionais sem abrir grandes “brechas”.

Não tenho especial encanto pelo governo do Syriza, nem teria de ter pois trata-se de uma matéria do exclusivo foro grego, parece-me exagerado e perigoso o corte das negociações entre este a as diferentes entidades internacionais (UE, FMI, BCE, …) pelo simples facto de se prever a realização de um referendo, do qual resultará a escolha por sufrágio universal do destino grego.

O que se antevê no horizonte é o resultado de um alinhamento político da esquerda neomarxista (China) com a direita neoliberal (UE e EUA), que pretende remeter a democracia participativa para os compêndios da história, dando lugar ao princípio universal de “dois sistemas, um planeta”, onde o poder global será repartido por ambos os sistemas totalitários, em regimes de perigosas ditaduras (ditas) esclarecidas.

O que se decidirá nas próximas horas condicionará obrigatoriamente toda Europa e o mundo, originando o “cair do pano” para um futuro que talvez não queiramos.

Estaremos preparados para isso?

 

Angra do Heroísmo, 29 de junho de 2015

Paulo Vilela Raimundo

 

Colunista:

Paulo Vilela Raimundo

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