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Achados sem proveito

Sábado, 11 de Julho de 2015 814 visualizações Partilhar

Já me envergonho de responder a e-mails de pessoas atónitas com o facto de não receberem respostas concretas quando indagam junto de agências de turismo sobre os “achados da Terceira”. Querem vir ver com os próprios olhos mas nenhum organismo (oficial ou não) as informa.

Contaram-me mesmo, que em algumas agências de turismo locais (Ilha Terceira) “despacham” os turistas que buscam informação sobre “cultura” dizendo-lhes que nesta Ilha há pouco para se ver, aconselhando-os a irem de preferência para S. Miguel! Convém informar que já me dirigi por escrito ao responsável pelo turismo oferecendo mesmo um workshop aos guias para que isto não aconteça (sem resposta).

Mas o que me faz lamentar de facto, já nem é o desinteresse do terceirense pelo muito património que a Ilha possui, mas sim a falta de coragem que demonstra em procurar saídas para esta embrulhada em que se encontra graças à política proteccionista/centralista de S. Miguel, em lutar pelo que é seu defendendo afinal um bem comum, que virá beneficiar todos. Note-se que S. Miguel não pode brilhar sozinho pois faltam-lhe muitas características humanistas que as outras ilhas possuem e que poderiam complementar a imagem dos Açores num plano geral, se bem pensado.

Um exemplo frisante do centralismo asfixiante que impera sobre as restantes Ilhas (não contempladas) está patente nesta estória verdadeira. No verão passado recebi um telefonema de um arqueólogo alemão que procurava sem o conseguir ver alguns dos novos “achados” dos Açores. Tendo contactado o organismo central para informação, dirigiram-no para S. Miguel onde passou alguns dias a procurar (anestesiado com as lagoas). Já quase no fim do tempo de estadia e desesperado pelos sucessivos desentendimentos, conseguiu o meu contacto, descobrindo que afinal, os “achados” se encontravam noutra ilha! Já não teve tempo de cá vir e desistiu. Ficou no entanto em contacto pela Internet, e sendo Professor numa Universidade de Berlim, pretende retomar o projecto da descoberta desta “contradição histórica”.

Sendo apenas um apontamento da realidade terceirense, assim como do atropelo constante dos seus direitos, não deixa de ser exemplar na forma maquiavélica como se desenvolve, alimentando-se do engano e da prepotência sem que os prejudicados encontrem forma de contrariar esse “destino” que lhes tomba em cima.

Enleando tudo e todos num novelo interminável de malogros e fiascos, fracassos justificados pela “crise”, não deixa que se perceba que a “crise” só afecta uns, enquanto outros progridem a passos largos. É notícia que em S. Miguel o turismo nunca esteve tão florescente.

Mas no caso do terceirense, essa crise apenas se deve ao facto dele não se dar ao trabalho de acordar para a realidade que lhe foi criada e lutar, lutar a fundo e a sério, pelo seu futuro. Ele que, mais que qualquer outro açoriano, com os valores históricos e com os recentes achados tem agora entre mãos a capacidade de mudar as coisas de forma definitiva.

Como? É caso para se interrogar: Não estamos em democracia? Não temos deputados/parlamentares, pagos para defenderem os interesses de cada Ilha? Não será caso de verificar a eficiência do sistema colocando no prato da balança o valor que está a ser sonegado à Ilha Terceira?

Estou fazendo o meu papel: desfio os outros a fazerem o mesmo!

Antonieta Costa

11/07/2015

 

Colunista:

Antonieta Costa