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Win – Win?

Domingo, 12 de Julho de 2015 917 visualizações Partilhar

(processo negocial onde aparentemente ambas as partes ganham…)

…ou como se diria prudentemente na Ásia: em luta para que ninguém “perca a face”!

Em todos os palcos da alta finança se debatem freneticamente cenários que, tomando a Grécia (e outros países do sul da zona euro?) como perdas colaterais, possam salvar o atual sistema económico mundial, mantendo a perigosa e letal ficção bolsista globalizada, permitindo que os “mercados” se sobreponham aos governos nacionais e que o lucro se sobreponha aos direitos dos povos.

Ficou claro que todos os esforços financeiros consumidos na obtenção da alegada hegemonia económica e social dos estados que constituem a União Europeia, levaram (como por coincidência…) ao endividamento catastrófico dos países pobres do sul.

A negação pública demonstrada pelas mais altas figuras dos estados nesta situação (Portugal, Espanha, Irlanda, Itália, …) simbolizam um real pavor de que, ao justificarem a Grécia, se hostilizem e ofendam os credores, desencadeando uma terrível punição do Olimpo financeiro.

Pese embora o último século ter sido rico em exemplos nefastos face ao preço pago pela tentação de cair em estado de negação, parece que teimamos em não aprender a lição.

Veja-se o que aconteceu durante o 2º conflito global (1939-1945), em que fruto de excessivos “olhares para o lado” iniciais e letais paralisações pelo medo, se assistiu a uma destruição insana de que, poucas décadas depois, ninguém é responsável, nem sequer defende ou justifica as motivações subjacentes.

Neste permanente confronto no eixo franco-alemão, em que (pelas armas ou através da economia) se luta pela ascendência sobre uma Europa dos 28 e de um mercado de 300 milhões de consumidores, não deixa de ser curioso que seja a França (também como uma dívida pública a aproximar-se dos 100% do PIB) a principal defensora da posição grega e que ninguém fale (publicamente) do problema italiano, cuja divida externa é superior à portuguesa (face ao PIB), sendo a segunda maior da EU, logo atrás da Grécia.

Torna-se realmente temível aquilo que no âmbito da teoria do caos, Edward Lorenz definiu como “efeito borboleta” (que teorizava a possibilidade de o simples bater de asas de uma borboleta poder influenciar o curso natural das coisas e provocar um tufão do outro lado do mundo) e a comunidade internacional vem dando sinais claros dessa preocupação.

Da China aos Estados Unidos da América, dos pensadores políticos de reconhecido mérito aos macroeconomistas galardoados com prémios Nobel, vêm-se engrossando as fileiras dos preocupadamente céticos do sistema ultraliberal instalado na Europa, levando-nos a crer que após esta refrega grega nada se manterá igual.

Até a China, que como maior potência financeira da atualidade, vinha abrindo a sua economia ao sistema (ficcionado?) bolsista mundial, surpreendeu tudo e todos ao “parar para pensar” retirando-se dos idolatrados mercados para repensar os riscos da dita liberalização.

Sabendo que em todos os conflitos existiram, e existirão, pessoas convictas e teimosas nas suas certezas, será prudente “pagar para ver”?

Estarão os nossos “irmãos” europeus do norte (liderados como que por coincidência pela Alemanha) conscientes das realidades dos países que provocadoramente classificam como P.I.G.S. (Portugal-Irlanda-Grécia-Espanha)?

Até onde estaremos dispostos a ir nesta luta pelo poder?

 

Terra-Chã, 12 de julho de 2015

Paulo Vilela Raimundo

 

Colunista:

Paulo Vilela Raimundo

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