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Amigo para a vida

Sábado, 15 de Agosto de 2015 517 visualizações Partilhar

Nunca se deve esbanjar amigos, que em falta de verdadeiros, mais vale não ter. Não seja em nome do divino, porque a minha fé não me toma de ponta, mas é certo que em dezoito anos de vida tive a oportunidade de conhecer as diversas faces da amizade. Nem que seja pelo seu lado rude ou então o seu lado mais puro.

Quero ir ao encontro de culturas que me levou a Lisboa em Setembro passado, e como se nada fosse esperado, dei-me de caras com outras pessoas e outras personalidades. Nas ilhas deixei um André, um Tiago, um Fábio, um Diogo e um Bruno. Hoje lembro-me dos amigos em masculino porque me faz recordar aquelas conversas de homem que não hão-de ser como pensam as mulheres: futebol, carros e raparigas.

Importa ir a Alfornelos. Lá conheci Cabo Verde pela boca de quem nasceu lá. Um amigo que será para a vida, não mais será meu companheiro pelo infortúnio do destino, só que hoje farei um exercício de memória.

Lembro-me das duas portas abertas, de ambos os quartos, e da lembrança que me surgia na cabeça de uma música de Rui Veloso ou da Cuca Roseta, e começava a cantar o refrão. Ele ia atrás. De ir interromper o estudo para a tese, falando de tudo, vendo que lhe estava a secar, mas sempre com um sorriso erguido no rosto. Dos jantares de coelho ou então dos copos de moscatel, articulados a desabafos amorosos. Da música aos berros nas colunas. Das conversas cultas de Deus ao Vaticano, da política à cantoria. Dei-lhe a conhecer a minha ilha, pelas recordações que tinha e ensinei-lhe palavras esquecidas do seu pensar. Ficou-lhe o “eome” e o “a que respeito?”.

Bons momentos passamos naquela Amadora. Dois insulares do continente. Agora partes para a tua terra.

Com amizade, Ivandro.

 

 

Colunista:

Emanuel Areias

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