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Crónicas da Serra da Ribeirinha (2)

Quinta, 20 de Agosto de 2015 673 visualizações Partilhar

A questão que se coloca, face a estes “achados”, da razão pela qual só se encontram marcas nas rochas desta Serra, no lado oriental/sul, será abordada mais à frente, quando for possível proceder às análises necessárias para despiste de várias hipóteses (ou então, ficará por resolver). A esse tipo de análise, que já está a ser ponderado, irá juntar-se outro sobre a construção de muros, que neste lado da cratera se manifesta diferente do da Serra do Cume, podendo no entanto conter também algumas semelhanças. Como o cenário destes achados foi bastante danificado pela construção de uma estrada, deverá este facto ser tido em conta na análise do que resta (a ser considerado na devida proporção), sendo que, mesmo com reservas, pode contribuir para uma melhor compreensão geral do fenómeno, se entendido como espaço compreendido por uma cratera e duas Serras laterais.

Como ambas as Serras têm proveniência comum, por serem a parte restante da parede vulcânica da cratera do enorme vulcão dos Cinco Picos, e como se sabe que importante parte das rochas traquíticas da Ilha se concentra nestes dois pontos, seria natural que existissem paralelos também nestas outras manifestações culturais, se todas elas estivessem relacionadas com a natureza traquítica das rochas. Mas no entanto, poderão existir outras possíveis razões a impor assimetrias, tais como: divisão de propriedade em períodos de tempo diferentes deixando indicativos culturais de cada época, necessidades específicas de protecção ambiental (contra ventos, degradação do solo, etc.), ou ainda causas dependentes de relações ecológicas internas, da divisão dos magmas na câmara magmática, conferindo-lhes ínfimas diferenças. Portanto, essa dúvida em relação ao papel desempenhado pelas rochas na construção da vertente norte (assim como nas restantes situações em que a natureza traquítica das rochas parece ter sido influente na determinação do seu uso cultural) irá depender de futuras análises, não só da sua composição, mas também resultantes de interacções perceptíveis através da ecologia de paisagem e com a colaboração de geografia e (possivelmente) a vulcanologia. Sabendo que a obtenção da cooperação de especialistas destas outras áreas estará dependente da espera por oportunidades, de momento procedo à caracterização fenomenológica desta parte da Serra, no que diz respeito à disposição das rochas, tentando comparar o posicionamento dos afloramentos (aqueles que o são) e a sua relação entre si, assim como estabelecer comparações com os da Serra do Cume, em frente e a cerca de 7km de distância, pela afinidade temporal, geográfica e geológica que os une.

Mas de toda a problemática levantada pela importância atribuída a um estudo mais complexo desta paisagem ressalta um facto importante: tudo o que for conseguido servirá apenas de aditivo ao imenso valor que a área já possui, como paisagem natural e cultural da Ilha Terceira.

Antonieta Costa

15/08/2015

 

Colunista:

Antonieta Costa