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Museu taurino feito a gosto

Terça, 25 de Agosto de 2015 567 visualizações Partilhar

Gostar é o mais importante. É esta a justificação de Paulo Magalhães para o facto de ter vestido a jaqueta do Grupo de Forcados da Tertúlia Tauromáquica Terceirense durante 12 anos (1979/91).

Muito além da coragem ou uma certa dose de maluquice, para se ser forcado é preciso gostar. “Gostar é meio caminho andado para tudo”, reforça Paulo Magalhães.

O primeiro cabo do Grupo de Forcados da Tertúlia Terceirense, João Hermínio Ferreira, considera Paulo Magalhães um “autêntico forcadão”.

“Todos os forcados têm medo na arena. O segredo é saber lidar com o medo”, especifica João Hermínio Ferreira na análise comportamental a homens que enfrentam o desafio de pegar em toiros que chegam a ultrapassar os 500 kg.

Uma pega é a síntese perfeita da bravura inerente a um espetáculo taurino. São oito forcados a tentar pegar um animal que reúne o respeito e amor dos aficionados da festa brava.

Um trabalho de equipa, onde alinham o forcado da cara, o da contra-cara ou primeira ajuda, segunda ajuda, pontas de bola e rabejador.

Paulo Magalhães vivenciou todas estas emoções mas quis elevar a paixão pelas touradas a um patamar mais alto e duradouro.

Desde há cinco anos (22 de Agosto de 2010) que mantém a funcionar um Museu Taurino, na freguesia do Posto Santo, em Angra do Heroísmo.

O espaço mostra de tudo um pouco o que integra o fascinante mundo da tauromaquia ao nível das corridas de praça e corda.

Trajes, fotografias, cartazes, cabeças de toiros afamados, bilhetes de touradas à praça, imagens religiosas (como a da Virgem Macarena, Padroeira dos Toureiros), pinturas, prémios e tantos outros ícones taurinos cedidos por gente amiga e colecionados por Paulo Magalhães desde tenra idade.

É um passeio à história das histórias de toiros e toureiros. Destaque para a promoção das corridas nas velhas Praças dos Biscoitos e de São João, com referências ao início do século passado.

Fica a saber-se que, a 17 de Fevereiro de 1911, ao meio dia e meia hora, a Praça de São João era palco de uma grande corrida onde a receita revertia a favor da Liga Contra os Ratos.

Mais do que um “forcadão”, Paulo Magalhães é um autêntico Museu. Feito a gosto e, já agora, com pinceladas de amor.

 

 

joao.rocha@portugalmail.pt

 

Colunista:

João Rocha

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