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Se não agora, então quando?

Terça, 08 de Setembro de 2015 818 visualizações Partilhar

No meio de um “ruido ensurdecedor” de pré-campanha eleitoral, o fator medo vem sendo a arma mais utilizada pelas diferentes forças partidárias, voltando-se a repetir preocupantemente chavões do tipo: “Não confio nos políticos. Provavelmente não irei votar.”

A verdade é que, com o passar dos anos, muitos de nós já não se recordam do tempo em que o direito ao voto não era universal, em que as decisões que à sociedade portuguesa diziam respeito ficavam generalizadamente na mão dos (por si) “eleitos”.

Quatro décadas passadas após a conquista do direito de voto para todos os cidadãos de nacionalidade portuguesa com mais de 18 anos de idade, quedamo-nos como uma população (confortavelmente) divorciada dos seus representantes políticos, a quem não reconhecem competência, nem como merecedores da sua confiança… e de um conjunto de governantes que, face à desresponsabilização alarmante dos seus putativos eleitores, voltam a decidir o nosso futuro coletivo “sozinhos”, sentindo maior necessidade de justificar as suas decisões aos seus parceiros internacionais do que ao seu povo.

Também desta a culpa é de todos nós!

A um mês das próximas eleições legislativas, cabe-nos a nós decidir não compactuar com estratégias de campanha que, explorando os medos ardilosamente construídos para nos condicionar na decisão eleitoral, nos tratam como “ratos de laboratório” mediática e publicitariamente manipulados.

…e se desta vez, contrariando o passado recente, exigíssemos que os múltiplos candidatos, das mais de uma dezena de forças partidárias em confronto, nos esclarecessem realmente sobre as ideologias que defendem e, mais importante, sobre quais as soluções que propõem para lidar com os compromissos internacionais que coartam a nossa liberdade e independência?

Para que os atuais “comícios” (onde tendencialmente se confirmam vassalagens) retornassem às anteriores “sessões de esclarecimento”, tornar-se-ia necessária uma alteração de entendimento, equivalente a um acréscimo democrático inquestionável, levando o cidadão eleitor a assistir a variadas ações de campanha que o habilitem a escolher, sem que a sua presença nestas o conote obrigatoriamente com o partido em presença.

Cabe-nos a nós exigir um maior esclarecimento quanto ao real enquadramento do país, nos cenários de compromisso internacionais, tentando individualmente obter a tão importante e responsabilizante “opinião pessoal”.

Seguramente não iremos encontrar o partido ideal, nem milagrosos candidatos a governantes que, como num passe de mágica, solucionem todos os problemas que enfrentamos e outros que se avizinham.

Mas a responsabilidade da escolha é pessoal e inalienável e, passado o próximo dia 4 de outubro, todos teremos de assumir que o governo que daí resultar será de e para todos os portugueses sem exceção.

É nossa obrigação, por respeito para com os nossos pais e avós e por dever para com os nossos filhos e netos, o assumir da responsabilidade de escolha (fundamentada e conscientemente) do futuro do nosso país e, após a eleição, continuarmos democraticamente solidários para com aqueles que venham a governar.

Aproxima-se uma nova oportunidade para defendermos a liberdade e a democracia, erradicando a abstenção.

…se não você, então quem?

 

Terra-Chã, 7 de setembro de 2015

Paulo Vilela Raimundo

 

Colunista:

Paulo Vilela Raimundo

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