Como que por falta de melhor estratégia, vem sendo repetido (nesta fase final da campanha eleitoral portuguesa) o insistente e tonitruante recurso ao medo e à chantagem como arma (doméstica e internacional) em defesa de um determinado “status quo” que incomoda claramente a maioria dos portugueses.
Os detratores deste estratégia, quais narradores de fábulas com o Lobo Mau, sabem que o fator medo é uma sensação que proporciona um estado de alerta, demonstrado pelo receio de fazer alguma coisa, por nos sentirmos ameaçados, originando ansiedade, que levará o indivíduo a temer antecipadamente o encontro com a situação ou objeto que lhe possa causar algum mal.
Em pleno século XXI, e numa sociedade que se diz democrática, não deixa de ser estranho e preocupante que, em alternativa às ideias, aos projetos e às propostas concretas (que nos deveriam habilitar a escolher entre os partidos políticos que se sujeitam a sufrágio), só nos ressoem aos ouvidos: ameaças, ameaças, ameaças…
Este tipo de comportamento não só é usado por alguns (lusos) que se pretendem eternizar como atores no poder, como é acintosamente replicado por políticos e demais interessados financeiros internacionais.
Como se de inocentes e desinteressados se tratassem, não só nos reafirmam o labéu de “lixo”, como tomam a liberdade de nos chantagear ofensivamente, antecipando que “haja uma continuidade das políticas seguidas, independentemente do resultado das eleições de outubro”.
Esta estratégia de intimidação transnacional tende em tornar, os portugueses de um modo geral e cada um de nós isoladamente, em covardes que, temendo o futuro, se inibam de livremente o escolher.
Covardia, na sua definição, é algo que nos força a não tentar, a não lutar por simples medo, por indecisão, por fraqueza. É deixar de fazer algo, desistir, abandonar pela metade pela falta de confiança em si próprio.
Bem sabemos que é trabalhosa a defesa dos nossos direitos individuais, pelo simples facto que nos obriga a cumprir com as nossas obrigações. Mas, no próximo dia 4 de outubro, teremos a oportunidade de “ouro” para escolher o nosso futuro e demonstrar a quem teima em estratégias intimidatórias que saberemos honrar o sistema democrático em que queremos viver.
Em resposta ao medo instalado, recordemos a máxima de Ernest Legouvé:
“Covardia é medo consentido. Coragem é medo dominado.”
Angra do Heroísmo, 22 de setembro de 2015
Paulo Vilela Raimundo
Colunista: