Esta não é propriamente uma crónica, nem se refere apenas à Ribeirinha, mas ingressa no mesma classe apenas para se dirigir ao público que lhe está afecto. Trata-se de uma notícia: a de que foi entregue no passado dia 28, no Portal da Ciência Horizon2020 Açores, uma candidatura a financiamento dos estudos em decurso. Sob o título PRIT-ETA (Paisagens Rupestres da Ilha Terceira – Estudos Técnicos e Antropológicos) nela está previsto um intercâmbio/ colaboração entre cientistas estrageiros e locais, em áreas como: a comparação de pólen (a colher em perfurações, ou amostras de solos recolhidas sob as grandes rochas) com o manto vegetal actual, a análise de degradação de rochas (especialmente dirigida às pias e incisões), a análise ao magnetismo das rochas traquíticas (as preferidas nestes locais) para comparação com as basálticas, e também o estudo de estilos de construção de muros (onde se enquadram os de grandes rochas tipo “menhir”).
Uma segunda linha de estudos dirige-se à construção de uma base de dados/ inventário onde serão registados todos os objectos em estudo (pias, formações rochosas zoomorfas e antropomorfas que lhes estejam ligadas, assim como algumas das rochas com incisões) devidamente catalogados e identificados por mapiação, localização topográfica e geográfica, fotografia e desenho técnico e artístico, para além de localização por GPS. Este inventário será informatizado e o seu acesso aberto ao público em vários suportes, podendo mesmo ser consultado nos próprios locais, por telemóvel e frente às peças em observação (localizáveis por GPS), sobre as quais será dada a informação disponível. O valor deste dispositivo para o turismo será incalculável, visto dificilmente ser possível dispor de guias devidamente preparados, dada a vastidão da informação a fornecer. Aliás, a criação de um arquivo deste tipo já deveria estar a decorrer, financiado pelo sector do turismo ou pelas duas Câmaras Municipais, pois o enriquecimento paisagístico que ele fornece é desde já uma mais-valia local que se encontra em total subaproveitamento: paisagens bonitas existem em muitos locais, porém, com os aditivos aqui encontrados, são raras (para não dizer – únicas).
Tendo em consideração que o destino a atribuir a esta candidatura irá condicionar o desenvolvimento da Ilha pois a divulgação que lhe está inerente (independente dos resultados) é algo que já se tornou indispensável, na actual situação da Ilha Terceira face ao turismo, impõe-se uma tomada de posição, pois, se lhe acontecer o mesmo que à candidatura anterior, dirigida à DRaC (e recusada!), que propunha a realização de uma série de pequenos documentários a divulgar cada um dos sítios em estudo e que poderia ser colocada na Internet – o que não irá suceder, chega-se assim a um ponto em que se torna indispensável a manifestação da opinião pública, ou seja, torna-se necessário decidir o que fazer quando decisões contrárias aos interesses da Ilha continuam a ser tomadas na “serenidade” dos gabinetes e sem consequências!
Antonieta Costa
29/09/2015
Colunista: