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Vamos trabalhar?

Quarta, 11 de Novembro de 2015 793 visualizações Partilhar

Eis-nos perante a eminência de um novo governo que, substituindo o recém-nomeado XX governo da 3ª República, se assume como uma solução de esquerda, no espetro político-partidário da “paróquia”, para os próximos quatro anos.

Terminada a “cisma” iniciada em 4 de outubro, e após longos meses de desinformação e de cultivo do medo, deparamo-nos com o país fatalmente dividido, atemorizado e sem saber em que acreditar.

Várias décadas passadas após o revolucionário abril de 74, surpreendemo-nos com o regresso das ideologias e com a necessidade de, contornando as “famílias” acantonadas em S. Bento, decidir, lutando, pelo nosso amanhã.

Perante tanta ousadia seremos obrigatoriamente “condenados” pelos mercados?

Apenas uma governação de direita, sustentada em partidos que inexplicavelmente se dizem preocupados com a realidade social…, demonstraria a necessária sensatez para devolver ao país a tão desejada independência económica e política, em paralelo com a qualidade de vida que nos foi retirada?

Serão os políticos/cidadãos de esquerda tendencialmente irresponsáveis e incompetentes para gerir o nosso futuro coletivo, de um modo coerente, responsável e cumpridor dos compromissos internos e externos assumidos por Portugal?

Tudo me leva a crer que não! …e mais surpreendente ainda, algo me leva a suspeitar que pouco vai mudar no nosso futuro de curto e médio prazo.

Não sendo simples retórica quando nos dizem que “…em democracia, os países se governam ao centro”, comprovou-se no nosso país que a migração dos partidos coligados no anterior governo para a direita (em busca da miragem do liberalismo absolutista) criou um vazio ao centro, que prontamente foi ocupado pelo PS e posteriormente reforçado pelos partidos à sua esquerda.

Tendo ficado claro no voto expresso nas urnas e pela maioria de deputados do universo PS/BE/PCP/PEV, apenas se iniciou uma inversão da motivação governativa lusa, fazendo-me recordar (e desejar utopicamente que se torne verdade…) que “… o sonho e a vontade de solidariedade são a única razão de ser da Esquerda” (Eduardo Lourenço / Vence, 9 de abril de 1985).

Não nos esqueçamos que o Partido Socialista, novel líder do próximo (porque previsível…) governo da república, também foi um dos subscritores de toda uma série de acordos internacionais que, comprometendo a sua gestão, apenas deixará margem para questões de pormenor.

Porém, é nos pormenores que se fundamenta a esperança e o futuro de dez milhões de portugueses, fazendo depender deles as boas ou más condições de viver, trabalhar, ter família, ter pequenos prazeres, sonhar…

Descansem os mais “preocupados” pois nada disto implicará subvenções perdulárias, obras faraónicas, nem ofensivas pensões como as atribuídas aos “donos disto tudo”…

É chegada a hora de, após vários anos a recapitalizar a banca internacional e a fortalecer as empresas multinacionais, à custa do empobrecimento dos países e da perda de direitos e vencimentos da população ativa (que usufruindo de inúmeros incentivos fiscais e financeiros não hesitam em abandonar-nos sempre que deparam com “melhores condições laborais e de contexto”), se proceder com a necessária justiça ao abrandamento destes mecanismos e à devolução gradual dos proventos do trabalho a quem o desempenha.

Entendendo-se os inegáveis e nefastos efeitos de uma política puramente economicista e ultraliberal, que provocaram a ineficácia do sistema pondo em causa o estado social (serviço nacional de saúde, ensino, justiça, segurança social,… ) talvez seja tempo de começar a arrepiar caminho, antes que seja demasiado tarde.

Perante tudo isto, e apossando-me de um jargão tipicamente terceirense, parece-me ouvir:

Hé huome, do que é que estamos à espera!”

 

Ponta Delgada, 11 de novembro de 2015

 

Paulo Vilela Raimundo

 

Colunista:

Paulo Vilela Raimundo

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