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Paisagens Rupestres da Ilha Terceira

Quarta, 02 de Dezembro de 2015 1222 visualizações Partilhar

CANDIDATURA

Na candidatura a fundos para estudo que foi apresentada à DR da Ciência e Tecnologia pelo Instituto Histórico da Ilha Terceira, não foi necessário fazer nenhum esforço para conciliar os interesses do Governo com os nossos: são precisamente os mesmos! Nós também pretendemos desenvolver o turismo (e especificamente o de paisagem) e para tal, também o apresentamos diversificado, como é aconselhado pelo Governo: será uma Paisagem Rupestre (única na Região, uma vez que o termo se refere a inscrições na rocha) e que se encontra assente numa estrutura geológica também única na Região: 60% de Traquitos (que nenhuma das outras ilhas possui nesta percentagem). De notar que esta “coincidência” não é aleatória, pois a presença de sílica nos traquitos é uma réplica do que acontece no granito e outras rochas utilizadas nos monumentos megalíticos da fachada Atlântica Europeia.

A particularidade “Rupestre” existe numa grande abundância e inexplicável como fenómeno natural. Instalados em locais panorâmicos de grande beleza paisagística, estes sítios identificados como “Rupestres” convidam a uma visita, mesmo que apenas pela conveniente localização, acrescentando à sua própria essência esse outro atractivo. O que será mais necessário? De tão óbvio torna-se embaraçoso e incompreensível o seu desaproveitamento (principalmente como desperdício de tão bom recurso, para mais em época de crise). Alega-se a necessidade do seu estudo, claro, mas apenas o fazem aqueles que ainda não os visitaram (e não os visitam, não se sabe porque).

No projecto de estudo (apresentado como Candidatura a fundos) foram inscritas duas linhas de acção: primeiramente, um levantamento/inventário das peças, ou seja: das pias, das figuras ou “geoglifos” que os centralizam, e das zonas de maior densidade de inscrições, com a respectiva localização em mapa e referenciamento por GPS. Em segundo lugar, a sua contextualização pelas várias ciências (Geologia, Arqueologia, Antropologia, Biologia, etc.).

Assim foram estabelecidas as prioridades:

1 Construção de uma base de dados (inventário) com o registo, tipificação e localização de pias entalhadas na rocha mãe (e outros objectos na sua envolvente), informatização e disponibilização deste suporte informático para adaptação a telemóveis e outros acessos.

2. Ensaio de datação das rochas com pias e inscrições, a ser realizado por geólogo da U.Açores (em laboratórios exteriores)

3. Estudo das rochas (traquites) e do seu magnetismo (em comparação com as basálticas), considerando a possibilidade de influências benéficas para a saúde, que incluiria estas áreas no turismo de bem-estar e saúde.

4. Estudo de pólen (extracção em turfeiras) para comparação com a flora actual ambiental destas áreas (e possível datação), salientando também a descrição da biodiversidade, em especial dos endemismos ali presentes.

5. Estudo das diferentes tipologias vernaculares das construções aí existentes, especialmente muros.

O projecto (de dois anos) prevê também a criação de alguns empregos, para além dos que, de imediato, podem ser oferecidos aos guias de turismo, pois a visitação dos sítios não terá que esperar. Aliás, é incompreensível a relutância deste sector em utilizar matéria tão aliciante.

Antonieta Costa

01/12/2015

 

Colunista:

Antonieta Costa