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Saber na imaturidade

Terça, 08 de Dezembro de 2015 701 visualizações Partilhar

Não podes porque isto e aquilo. Não podes, sobretudo porque és novo. Será por baixa autoestima pessoal de quem o diz ou por dogmatismo de ideias, que o negacionismo se assume decisivo numa dinâmica de intervenção dos mais velhos nas intervenções dos mais novos, na política, na religião ou na cultura.

Já a minha avó dizia-me que não bebesse refrescos depois de comer a sopa, em sinal de respeito a uma regra firmemente crível ou não saísse à rua depois de me lavar. O risco existia, mas a rebeldia sabia melhor. Aconselhar ou ensinar, pelo argumento da idade, é muito sério. Comprova-se pela experiência de vida. Há quem diga que não estudou, mas estudou na universidade da vida. A metáfora direta e perspicaz das pessoas que representam imenso numa sociedade do doutor, do engenheiro ou do professor. Mas também são as pessoas da universidade da vida, que se submetem à sociedade do consumismo excessivo do Dr. do Prof. ou do Eng.º.

O maior obstáculo à sã articulação entra as pessoas do conhecimento pela experiência e as pessoas do conhecimento pela dúvida, pela perspicácia ou pela juventude, é o conservadorismo dos mais velhos. A sabedoria inata da experiência, por oposição à juventude. A mentalidade reinante de que assim o é.

A juventude confunde, esquece fenómenos. Não sabe, não relaciona devidamente. Desconhece, é verde na análise. A experiência, aguerridamente, impondo-se ao súbdito jovem, ganha a batalha com o “és novo”. Antes de dialogar, criticar em construção plena, dar ideias, discutir e ensinar dignamente, tranca o jovem nos seus pensamentos exageradamente “imaturos”.

Também é uma auréola de conhecimento, somente por viver os acontecimentos.

E nós só temos direito à palavra, que passa a ser levada a sério, na experiência de vida. Que é para amanhã, mas já não serve para o passado.

 

Colunista:

Emanuel Areias

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