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O preço de se ser genuíno

Sábado, 23 de Janeiro de 2016 786 visualizações Partilhar

O mundo contemporâneo peca por excesso do “politicamente correto”.

Sempre foi mais fácil integrar correntes tendencialmente abrangentes (renegando gostos, ideias e vontades pessoais) com o fito de integrar o “rebanho” e desviar os olhares de nós, do que defender uma opinião (mesmo que minoritária), uma paixão (mesmo que discutível) ou uma prática identitária (mesmo que possuidora de alguma componente violenta).

A realidade porém é incontornável: uma sociedade só o é verdadeiramente quando respeita e integra a diversidade dos seus e se assume como o resultado dessa amálgama de sensibilidades, opiniões,  tradições, direitos e deveres dos seus.

Todos sabemos que a defesa dos direitos dos animais vem ganhando terreno nas agendas político-partidárias do mundo ocidental, ao ponto de vir forçando, e bem, a maneira com que olhamos para o mundo que nos rodeia.

Porém, tal não me parece ser justificação para negarmos o nosso passado cultural, nem para proibir, por decreto, aquilo que para muitos de nós se revela como identitário e aglutinador de massas, num universo que, quer queiramos quer não, ainda tem uma abrangência mundial.

Tudo isto a propósito do significativo 50º aniversário da Tertúlia Tauromáquica Terceirense e das práticas associadas à tauromaquia e ao apelidado Mundo dos Toiros.

Ao refletirmos sobre o nosso passado histórico, facilmente depreenderemos que a tauromaquia, como atividade intrinsecamente cultural,  ainda se mantém disseminada um pouco por todo o nosso país, com especial abrangência na ilha Terceira, tendo resultado de práticas ancestrais de jogos de guerra, onde se valorizava a destreza e a bravura, no confronto entre a força do nobre animal e a inteligência do garboso oponente.

Ao longo dos tempos, e em torno de tudo isso, foi-se construindo um universo de complementaridades e afetos que possibilitou a manutenção das práticas taurinas até aos dias de hoje, com impacto na sociedade, na cultura, no turismo e na (infelizmente) débil economia da Terceira.

Compreendendo e respeitando aqueles que se negam a participar em atividades lúdicas que envolvam animais e que possam colocar estes em situações de sofrimento, não posso aceitar que se ignore deliberadamente a riqueza cultural que estas práticas encerram.

Toda a sociedade terceirense (de um modo muito particular) e os amantes da Festa Brava no seu todo, devem considerar-se reconhecidos pelo importante papel que a T. T. T., sustentada em todos os seus associados, amigos e dirigentes, vem desempenhando ao longo das últimas cinco décadas, na formação de jovens e na dignificação da sociedade onde se insere, afirmando a realidade taurina e defendendo o seu papel de inegável e transversal característica de se ser português.

Certo de que o mundo não pára e de que mesmo as tradições mais arreigadas se vão moldando à vontade dos tempos, faço votos para que a relevante atividade da “nossa” Tertúlia se mantenha plena de força e vontade por mais 50 anos.

 

 

Angra do Heroísmo, 22 de janeiro de 2016

 

Paulo Vilela Raimundo

 

 

 

Colunista:

Paulo Vilela Raimundo

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