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Wishful Thinkings

Quarta, 20 de Abril de 2016 724 visualizações Partilhar

Tal como a intraduzível e tão lusa saudade, o termo que hoje vos trago,  bem mais claro do que qualquer outro termo em português, traduz um conceito de “pensamento ilusório ou pensamento desejoso”, equivalente ao “tomar os desejos por realidade e tomar decisões ou seguir raciocínios baseados nesses desejos, em vez de em fatos ou na racionalidade.”

Porque, quer queiramos quer não (e acreditem que eu gostaria que tivessem passado menos), abeiramo-nos de mais uma efeméride que, há já 42 anos, pôs a generalidade dos portugueses a ousar sonhar.

Passados todos estes anos, ponderadas todas as ingenuidades e excessos, aprendendo os custos da desejada democracia, eis-nos chegados a abril de 2016 como um Povo (de novo) amedrontado, sem rumo e sem saber em quem confiar.

Fruto de uma ambição mal gerida, embarcámos generalizadamente no sonho europeu, verificando agora que os financiamentos que fomos recebendo, não eram mais do que pagamentos por conta da nossa independência nacional.

Não ouviram o próprio governador do Banco de Portugal afirmar ter como compromisso primeiro o respeito e submissão total ao Banco Central Europeu e, somente em segundo momento, o dever de informar o Presidente da República e o Governo Português?…

Sonhámos com liberdade plena, onde a discussão das diferentes ideologias partidárias nos dariam múltiplos cenários de opção para o amanhã de todos nós, mas constatamos que os vícios há muito instalados vêm coartando a livre opinião, justificando o chavão dolorosamente repetido: “Eu já nem digo nada!...”

Prometemos a nós próprios comprometimento na defesa do que tínhamos conquistado, jurando a “pés juntos” que ditaduras nunca mais. Mas, mais uma vez se torna doloroso sabermo-nos vilmente mandados, sem respeito pelas pessoas e em adoração indefetível pelos números, com a agravante de não sabermos quem detém tal poder e com que motivações o usa.

Esperámos todos que com a abertura ao exterior, e após remoção das vetustas teias de aranha da tacanha governança lusa, encontraríamos todos o necessário dinamismo para, de igual para igual, labutarmos pela equiparação hegemónica com o mundo ocidental.

Acordamos agora integrados nos P.I.G.S. (Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha) da Europa, e como bons pedintes, nos vemos sujeitos a obediência extrema para com quem nos dá e tira o financiamento externo, de um modo como já nem nós brincamos com os nossos animais de estimação…

Onde pararão os sonhos que gerações e gerações de portugueses acalentaram desde a fundação da República Portuguesa?

Continuaremos (todos) nós a negligenciar a energia de toda uma população, para nos sujeitarmos aos exercícios laboratoriais traçados em folhas Excel?

Estaremos a defender o futuro dos que descendem e dependem de nós, quando abdicamos de: inquirir sobre tudo o que nos diz respeito, duvidar de tudo o que nos possa afetar, aprofundar tudo o que condiciona o amanhã e dizer não a tudo com que não concordamos?

Teremos de esperar, reverencialmente, até ao próximo 25 de abril, para recordarmos estes pensamentos e nos decidirmos a agir?

 

Angra do Heroísmo, 19 de abril de 2016

Paulo Vilela Raimundo

 

Colunista:

Paulo Vilela Raimundo

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