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Paisagens Rupestres

Segunda, 25 de Abril de 2016 441 visualizações Partilhar

Com a diversificação das tendências ocorrendo no turismo de massas, e com a actual propensão (mundialmente reconhecida) de mudança de preferência da categoria “Sol e praia” para a de “Paisagens”, os Açores poderiam ficar a ganhar, se os considerarmos na sua variedade paisagística. Porém, mesmo esse escalão foi limitado logo à nascença, pela ênfase colocada nas “Lagoas” como atracção principal, o que reduz o âmbito do acesso, uma vez que a Lagoa das Sete Cidades monopoliza de imediato essa faixa do mercado.

Porque a situação não terá que ficar assim, proponho-me aqui, ao longo de uma série de artigos, reverter este “estado da arte” do fenómeno turístico com influência na Região, apresentando outras valências das paisagens açorianas, embora centrando-me na Ilha Terceira (por ser aquela em que desenvolvo, até Junho de 2017, um trabalho académico). Mas ressalvo que, se vou publicar algo sobre as paisagens da Terceira, faço-o não por ter a pretensão de conseguir mudar os desígnios governamentais na definição da respectiva política económico/turística da Região, mas por duas outras razões: 1ª - por que agora estou a lidar com essa matéria e tornar-se fácil partilhá-la com os outros, pois mesmo descrente da sua eficácia (em termos de aceitação pública), considero que há que pugnar pelos interesses desta terra (tão injustamente preterida), mesmo que só para não deixar de o fazer... E 2ª - porque  as “Paisagens Rupestres” que a Terceira tem e pode “vender” (e que vão muito além do valor turístico) são um bem cultural precioso, a resguardar de atropelos que possam ser cometidos quer por guias mal informados, quer por visitas apressadas, “a despachar”, para apanhar um qualquer Cruzeiro em stand by

Dos vários géneros de paisagem a ressaltar na Ilha Terceira, considero que é no género “Paisagens Rupestres” que a Ilha revela a competência necessária para vingar num mercado turístico competitivo. Estas “Paisagens Rupestres” a que me refiro, possuem um capital incalculável de ensinamentos, pelo que podem e devem, antes de mais, ser compreendidas dentro dessas apreciações valorativas, para que se estabeleçam na opinião pública com o seu devido estatuto. Isto porque, para se instituírem como “Património Cultural” necessitam antecipadamente dessa compreensão.

No entanto, para que tal aconteça, o conceito necessita ser detalhado pois a confusão e contaminação com a noção romântica de “paisagem”, ainda activa desde do século XVIII, retira-lhe consistência.

As mais recentes abordagens da Antropologia levadas a efeito pelos novos teóricos (Timothy Ingold e Philippe Descola), oferecem um vasto panorama do que pode ser acoplado a este conceito, no exemplo presente na Ilha Terceira. Tendo em conta que estes novos aspectos do conceito necessitam de exemplos vivos, já será possível compreender a razão por que é necessário, rapidamente, começar a sua pedagogia e protecção, pois a Ilha torna-se num local raro, pois, infelizmente, não são muitos os locais preservados e isentos de atropelos recentes, onde possa ser administrado o ensinamento com observação directa, como acontece neste modelo. As Paisagens Rupestres da Ilha Terceira não necessitam de um reconhecimento oficial para o serem. Neste tema que vou desenvolver um pouco, não interessam os pontos discordantes, mas sim aqueles que, tal como são, já transmitem pedagogia. Será neles que nos focaremos.

 

Colunista:

Antonieta Costa