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A minha cabeleireira de eleição

Quarta, 24 de Agosto de 2016 455 visualizações Partilhar

Em toda a minha vida, sempre me foi difícil arranjar sossego no que ao cabelo diz respeito. Andei pela ilha inteira à procura de alguém que me soubesse cortar o cabelo e ao mesmo tempo eu não fechasse os olhos com medo do resultado final. Experimentei da Praia à Agualva. Tive de parar na Caldeira para obter o que queria – onde mais do que cortar o cabelo, facilmente se é amigo da cabeleireira.

Quando fui estudar para fora, temi passar 3 meses seguidos sem a minha cabeça estar nas mãos da minha cabeleireira de eleição. Podiam passar os dias todos das aulas, e o cabelo começava a importunar a visão, e já me começava a irritar de manhã para lhe dar jeito de gente, mas teimava em não procurar alguém para o cortar. Lá fora, em Lisboa, andei feito tolo em busca de alguém que me fizesse um penteado um tanto parecido com aquele que a minha cabeleireira fazia. O resultado era sempre inesperado. E olha que sempre olhei para o cabelo com grande indiferença e sem medo, mas quando me vi com um cabelo de 3 meses, notei que era um dos maiores problemas que tinha em mãos ao estar fora de casa.

Da Rua Abade Faria para as ruas de Alfornelos, perto da Amadora, até mesmo ao Centro Comercial Colombo, a minha cabeça esteve nas mãos de 3 ou 4 homens. Nenhum teve o brio e o jeito da senhora da Caldeira (sim, que ela é uma rapariga nova, mas eu dizia até pouco tempo senhora) que mais do que cabeleireira, era amiga. Não interessava a hora ou a agenda, mas havia sempre espaço para os cabelos da Família Areias. E mais do que ir lá cortar o cabelo, íamos conversar. Ou vamos horas mais cedo ou ficamos no depois do corte, a falar – pelo ambiente em que nos envolvemos e por gostarmos dela. Por confiarmos e por gostarmos.

Na ilha, de festa em festa, vamos vendo as obras-primas que ela realiza, sem que eu ou outra pessoa qualquer tenhamos a noção da complexidade da realização. São horas de trabalho, que por vezes se torna num sem fim de tempo, onde só importa o agrado dos clientes.

A Verónica Marques é sem dúvida alguma uma profissional de valia, que sabe prender a atenção dos cabelos de quem gosta de os preservar. Um salão que convive de perto com a calma atmosférica do meio em redor. Lá na Caldeira das Lajes, já quase no centro das entranhas da terra, encontramos uma verdadeira profissional, que nos tempos atuais, já não é fácil encontrar.

Assusta-me ter cortado o cabelo pela última vez no meio de Agosto, sabendo eu que em Setembro volto a Lisboa. E até ao Natal são três meses.

 

Colunista:

Emanuel Areias

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