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20 anos

Sábado, 03 de Setembro de 2016 593 visualizações Partilhar

A magia de viver mais um aniversário começa a perder brilho quando chegamos àquela fase em que já não somos as crianças de ontem, mas os adultos do amanhã. Ainda ontem recordava o dia do meu nascimento junto da minha mãe e via nela uma emoção tremenda de ter dado o ser a um filho. Os pequenos momentos que nós recordamos, aqueles a quem a memória é fiel, servem sobretudo para nos sentirmos vivos.

A partir do momento em que já temos mais preocupações do que brincadeiras, mais seriedade do que ingenuidade, é na altura que questionamos qual o nosso papel na vida. Ter mais um ano de idade é ganhar mais um pouquinho de responsabilidade connosco e com os outros. É também uma oportunidade de reflexão pelo último ano vivido no mundo, sem que tenhamos em conta a doença ou a tristeza, mas as aprendizagens.

Quando penso que já tive dois avós que partiram, que já andei de burra pelos pastos da Vila Nova, que já vi o Tom e Jerry e que dei beijos de esquimó na primária, é que dou valor à memória e à ânsia de querer viver mais ainda. Quando penso que já cai de bicicleta, que li o primeiro livro ou que soube escrever o meu nome pela primeira vez, é que dou valor aos ensinamentos dos outros e à educação. Quando penso que já fui para a cama dos meus pais numa noite de pesadelos e me acalmei ou quando quis muito ir para casa dos avós, e ficar lá a dormir, é que valorizo o amor, o carinho e a família.

Fazer anos deve ser uma forma de nos sentirmos realizados com aquilo que já fomos e fizemos. Deve servir como método para a reprodução lembranças nos pensamentos e nos olhos. E deve servir como chamada de atenção para aquilo que ainda temos direito a ver, sentir e viver.

Em 20 anos, que seja pouco para quem já viveu mais ainda, devemos ter em conta que a memória de um jovem não é de ignorar face à de um mais velho. Interessa verdadeiramente é a consciência de vida. A consciência de crescer de ano para ano. De que somos pedaços do tempo, mas que facilmente nos reduzimos a vazio.

E fazer 20 anos serve para percebermos, na nossa reflexão, que nada é um verdadeiro arrependimento.

 

Colunista:

Emanuel Areias

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