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Açores, Kissinger e a China

Sábado, 08 de Outubro de 2016 482 visualizações Partilhar

A recente passagem do Primeiro-Ministro chinês pela ilha Terceira suscitou análises e detecções de sinais e factos correlacionáveis, para além de comentários jocosos e agridoces, curiosas observações jornalísticas, e até a divulgação de um notável vídeo sobre as Lajes que gerou embargos de respiração mediática, militar e diplomática.

Todavia, uns e outros, não deixam de constituir ainda peças para urgente, informada e fundamentada retoma de atenção a tudo o que em mais profunda dimensão e significado se articula com o actual trânsito transatlântico da China e com esta “escala técnica” sínica (com todos os seus contextos histórico-temporais, geopolíticos, comerciais e estratégicos), ou não estivéssemos perante agentes e actores cujos singulares cânones e biombos civilizacionais, culturais e ideográficos mergulham numa longa e ancestral cadeia de muralhas, rotas e malhas de pedra e seda (com imperadores, mandarins e muito pacientes mas obstinados timoneiros e vassalos), como Henry Kissinger lembrou no seu “tratado” Da China ao perspectivar e problematizar o futuro possível das relações sino-americanas (que hoje temos de rever à luz mesma das dialécticas e contradições com que o velho Mao Zedong também pavimentou os interesses permanentes e as marchas e contramarchas nacionalistas e internacionais de Pequim...).

– Desengane-se pois quem incautamente alinhar em retóricas e jogos antecipadamente perdidos para peões descalços e analfabetos, alimentando ilusões de anão em pontas de pés ou servindo de figurante pobre numa planetária dança de hegemonias onde misérias de barriga e mente se projectam só em provincianos papéis de marioneta, num cenário de sombras simultaneamente chinesas e platónicas!

E isto, repita-se, como escrevi anteriormente a propósito do nosso Eça, a direito ou no avesso simbólico daquele “amanuense do Ministério do Reino” vendendo a alma e a pátria ao Diabo, – dê-se o nome que se der aos recorrentes Teodoros (“mangas de lustrina à carteira” do Estado); aos milhões sonhados nos oblíquos olhos de Ti Chin-Fu (ou de Li Keqiang); às oníricas alianças de tanto “boy” com as generalas de toda a casta institucional; aos Camilloffs da neo-geoestratégia mundial, ou até à euro-luso-açórica casa de hóspedes e patacas de Madame Augusta, num clientelar e irrealista pagode de untuosas palmas e verbenas..., enquanto se atiram rústicos coices aos amigos e aliados de outrora (e de sempre), que afinal foram quem lhes/nos deu cama e mesa e farda lavada durante (saudosos?) anos a fio!

 

Colunista:

Eduardo Ferraz da Rosa

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