Azores Digital

--> Hoje, dia 23 de Outubro de 2017

Sobre o Estado e o indivíduo

Quinta, 03 de Novembro de 2016 394 visualizações Partilhar

De facto vivemos sob resquícios daquilo que fomos no passado. Sob a proteção de um Pai gigante, que tudo controlava e não deixava nada perdido para o esquecimento. Vivemos numa imensa neblina, onde nem a nossa própria liberdade escapa. Já disse que era pela liberdade e nunca pela igualdade – porque cada indivíduo é um ser diferente.

O Estado não pode definir um indivíduo. Não o pode fazer, mesmo que seja uma definição que não pareça possível aos olhos dos ingénuos. Mas fá-lo de uma forma indireta. Fá-lo de uma forma informal. Ninguém é suficientemente livre, sobretudo em meios fechados. É a perspetiva que assumo. Só passamos a sê-lo quando procuramos sair. Ver a saída como a única escapatória, é sinal da opressão em que vivemos, por muito que seja calada e tímida.

Nós não somos aquilo que queremos ser do nada. Não o podemos ser no vazio. Se há sociedade onde somos o resultado daquilo que ela quer, aliada ao Estado – polvo, é a nossa. Vejamos exemplos, para que eu não caía no ridículo de estar a defender o inútil, quando comparado com o passado. O exemplo da educação – haverá prova maior hoje, de que tudo está moldado para que nós sejamos todos muito bons, muito inteligentes e todos formados em algo teórico-prático? Veja-se o discurso de quem nos lidera, que acredita que a sociedade só progride pelo conhecimento teórico, ou seja, o discurso estatal que molda a nossa aceitação da realidade.

Vejamos a capacidade que o Estado tem para ter controlo sobre as pessoas. O Estado gosta de pagar subsídios, gosta de ser grande e chegar a todos, porque se o Estado é uma construção humana, constituído por pessoas, então a dependência dos indivíduos face ao Estado, é uma forma inteligente que o Estado assume, para se suportar em bases fixas. Um Estado mais pequeno dá mais liberdade ao indivíduo, permite-o voar sem que a emancipação seja frágil ou a independência um mero sinal de loucura passageira.

Vamos para um meio pequeno. Para uma ilha. Um indivíduo com um projeto de vida por cumprir, mas que por certas razões, há uma relação hostil face à liderança no meio onde está. Que é da liberdade daquele indivíduo, se não a vender, para que possa cumprir um sonho ou um projeto?

Mas mesmo assim, vamos conseguindo ser o que queremos ser – talvez porque a liberdade que temos nos dá um passe para a ida. Porque há sempre um caminho paralelo àquele que possam querer definir por nós.

O indivíduo deve poder autodefinir-se. Não vejamos isto como uma defesa anárquica da sociedade, mas como um ponto de interrogação à ação do regulador das nossas vidas – o Estado.

 

Colunista:

Emanuel Areias

Outros Artigos de Emanuel Areias

Mais Artigos