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O futuro chega a presente

Quarta, 09 de Novembro de 2016 490 visualizações Partilhar

O futuro chega a presente. Foi das primeiras ideias que tive, quando comecei nesta coisa de escrever sobre inquietações. Num dos primeiros dias que decidi refletir sobre a arte de viver, percebi que olhar para a vida como um jogo sem fim, é viver na inutilidade. Que mais será a vida do que uma valente inutilidade, pelo seu fim tão fatal e pelo seu início tão básico?

Mas move-me a ideia de presente e futuro, como se fosse a base de uma vida. A construção da vida assenta muito nessa sensação de complementos, de aproveitamento dos tempos e das realizações presentes. Assenta ainda no sonho e no pensamento do futuro, na preparação da vida, na obtenção dos créditos pela luta diária. Nunca é possível agarrar algo abstrato como a vida, nem sequer pensar no futuro em demasia, quando as realizações são sempre do presente.

O futuro não é pensado para ser, ele é. Não é perspetivado, é vivido. É presente oculto. Talvez seja a preparação utópica da realidade por ser. Mas tem de existir porque só há esperança se houver futuro para ser falado. A esperança fundamenta a existência do futuro que nós pensamos. O erro é que o nosso futuro deixa de existir no segundo posterior a pensar que ele existe, porque se torna presente.

As previsões são diálogos com a ignorância. E também, procuras do presente imediato. O futuro não passa de uma linha invisível que entretém o homem no seu quotidiano. E os sonhos acabam por se a calma do presente, o elogio da capacidade de ser.

 

 

Colunista:

Emanuel Areias

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